Senador afirma que a disputa interna foi marcada pela influência da máquina pública e do poder econômico
Derrotado na convenção estadual do União Brasil, o senador Jayme Campos fez duras críticas à forma como foi conduzido o processo que definiu o apoio da legenda à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Em pronunciamento após a votação, nesta quinta-feira (30), o parlamentar afirmou que a disputa interna foi marcada pelo peso da estrutura governamental e classificou o procedimento como "draconiano".
Jayme defendia que o União Brasil apresentasse candidatura própria ao Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026. No entanto, a maioria dos convencionais optou por manter a aliança com Pivetta, em articulação liderada pelo ex-governador Mauro Mendes (União).
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O resultado da convenção apontou 30 votos favoráveis à manutenção da aliança, contra 19 votos pela candidatura própria. Também houve um voto nulo.
Mesmo inconformado com o desfecho, o senador afirmou que aceita a decisão da maioria dos filiados e garantiu que deixa a convenção sem arrependimentos.
"Eu nunca vi na minha vida, na minha história política, ao longo dos seis mandatos que obtive, disputando eleições de prefeito, governador e senador, uma convenção que foi conduzida de forma tão draconiana. Ou seja, desigual e desonesta", afirmou.
Jayme disse que sempre pautou sua trajetória política pelo respeito às decisões democráticas e, por isso, não pretende insistir em uma candidatura que não recebeu o aval da maioria dos convencionais.
"Eu não faço política na marra ou empurrada goela abaixo. Eu faço política respeitando o povo, sobretudo aquele cidadão que confiou, durante a minha vida pública, seis mandatos. Saio dessa convenção tranquilo, com o meu dever cumprido", declarou.
Durante o discurso, o senador atribuiu sua derrota ao que chamou de influência da máquina pública e do poder econômico sobre o processo interno do partido. Segundo ele, as condições da disputa não foram equilibradas.
"Prevaleceu o famoso rolo compressor, prevaleceu muitas vezes o poderio econômico, e eu não tinha como competir. Não foi uma eleição tranquila, não foi uma eleição transparente, não foi uma eleição republicana. Ela nada mais foi do que a força do poder do Estado", criticou.
O parlamentar também afirmou que houve articulações realizadas nos bastidores para consolidar a vitória da ala favorável à manutenção da aliança com Pivetta. Sem citar nomes, acusou adversários internos de utilizarem cargos públicos como instrumento de negociação política.
"[Foram] feitos acordos na calada da noite, buscando muitas vezes as pessoas mais fracas, aqueles que não têm personalidade, não têm dignidade, pessoas que fazem de qualquer mandato, muitas vezes, um instrumento, um balcão de negócio", declarou.
Ao encerrar o pronunciamento, Jayme agradeceu aos 19 convencionais que apoiaram sua candidatura e aos aliados que permaneceram ao seu lado durante a disputa interna. O senador também reafirmou sua confiança no próprio desempenho eleitoral e disse acreditar que teria condições de vencer a eleição ao Governo caso sua candidatura tivesse sido confirmada.
"Ninguém ganha seis eleições como eu ganhei. Se eu disputasse as eleições, tenho certeza de que ganharia o pleito de 2026", afirmou.