Situação foi reconhecida pelo Governo de Mato Grosso após estiagem, calor intenso e baixa umidade agravarem as dificuldades enfrentadas pelo sistema de abastecimento
A orientação para economizar água chega como mais uma preocupação para moradores de Várzea Grande que já convivem com torneiras secas e interrupções frequentes no abastecimento. Com a estiagem, as altas temperaturas e a baixa umidade do ar, o município teve a situação de emergência reconhecida pelo Governo de Mato Grosso nesta sexta-feira (28).
Para quem vive na cidade, porém, a preocupação vai além do período de seca. Moradores relatam que a falta de água já faz parte da rotina e temem que o agravamento das condições climáticas torne o abastecimento ainda mais irregular.
“Já falta água no dia a dia. Agora estão pedindo para a gente economizar, mas como economizar o que não tem? A gente precisa guardar água quando chega porque não sabe quando vai faltar de novo”, reclama a dona de casa Ana Luiza, do bairro Jardim União.
A situação de emergência foi decretada pela Prefeitura em 30 de julho e agora homologada pelo Estado. A medida terá validade de 90 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período. O reconhecimento permite a adoção de ações excepcionais para enfrentar os efeitos da estiagem e reduzir os prejuízos à população.
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O problema não é recente. Várzea Grande enfrenta dificuldades recorrentes no abastecimento, e três poços chegaram a ser reativados neste mês como tentativa de reforçar o sistema, acrescentando, segundo o DAE, mais de 1,5 milhão de litros de água por dia.
Para quem vive a rotina de interrupções, a preocupação é que o período de seca torne uma situação que já era difícil ainda pior.
“A gente já economiza porque sabe que pode ficar sem água. Não dá para lavar uma roupa, limpar a casa e fazer todas as coisas normalmente quando você não sabe quando a água vai voltar. O medo agora é ficar ainda mais tempo sem abastecimento”, afirma a moradora.
Problema está na estrutura
Apesar do cenário de estiagem, a Defesa Civil aponta que o Rio Cuiabá ainda possui volume suficiente para a captação. O principal gargalo está na estrutura do sistema de abastecimento, que enfrenta limitações para atender ao aumento da demanda provocado pelo calor e pelas condições climáticas.
A combinação entre problemas estruturais e operacionais e o período seco aumenta a pressão sobre o sistema e pode provocar novos episódios de desabastecimento.
O município deverá mapear as regiões mais vulneráveis e as unidades públicas que podem ser afetadas pelo desabastecimento. A Defesa Civil também mantém o monitoramento das condições do sistema e da evolução do período de estiagem.
Enquanto isso, moradores seguem fazendo contas para administrar a água disponível.
“Quando a água chega, a primeira coisa que fazemos é encher as caixas. Depois é torcer para ela não faltar de novo. O que preocupa é pensar que, com esse calor, a situação pode piorar”, declarou a moradora .