SERVIDORES INVESTIGADOS

Investigação aponta que servidora da SES movimentou R$ 7 milhões em apenas três anos

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Investigação aponta que servidora da SES movimentou R$ 7 milhões em apenas três anos
O delegado Hugo Abdon Lima - Foto: Reprodução

Quebras de sigilos bancário e fiscal revelaram padrão de movimentações entre os investigados

A Polícia Civil acredita que o grupo investigado na Operação Laço Oculto mantinha a extorsão como principal fonte de obtenção de recursos financeiros. A avaliação é do delegado Hugo Abdon Lima, titular da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), responsável pela investigação que apura a retirada de mais de R$ 1,1 milhão de uma servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Entre os investigados estão os servidores públicos Deiwson Ortelhado e Fernanda Leite da Matta, colegas de trabalho da vítima. O inquérito também aponta o envolvimento de um policial militar e de outras pessoas que, segundo a Polícia Civil, teriam participado da movimentação dos recursos obtidos de forma ilícita.

Conforme as apurações, o esquema começou quando a vítima foi convencida por Deiwson a disponibilizar sua conta bancária para determinadas transações. A partir desse momento, segundo os investigadores, ela passou a ser coagida por Fernanda, que teria iniciado uma série de exigências financeiras. A prática criminosa teria se estendido entre os anos de 2022 e 2025.

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De acordo com Hugo Abdon, o rastreamento das movimentações bancárias revelou um padrão repetitivo de transferências entre os mesmos investigados, o que reforça a suspeita de uma estrutura criminosa organizada.

"O comportamento financeiro demonstra uma engrenagem estável. O dinheiro circulava entre integrantes específicos e havia uma dinâmica permanente. Ao que tudo indica, eles utilizavam esse mecanismo para obter renda", afirmou o delegado.

Além da extorsão, a Polícia Civil investiga indícios de lavagem de dinheiro e possível atuação em atividades de agiotagem. Segundo Hugo Abdon, a análise das transações identificou que grande parte dos valores seguia um fluxo previamente estabelecido, encerrando-se, em diversos casos, nas contas de um policial militar investigado na operação.

Apesar da identificação desse caminho, a polícia não descarta a existência de outras formas de circulação dos recursos.

"Nós identificamos uma rota predominante, mas isso não significa que ela seja a única. O trabalho investigativo continua justamente para identificar todos os envolvidos e o percurso completo do dinheiro", explicou.

Outro elemento considerado relevante pela investigação é a incompatibilidade entre a renda declarada pelos suspeitos e o patrimônio ou volume de recursos movimentados.

Segundo a Derf, Fernanda Leite da Matta, servidora do setor administrativo da SES, movimentou aproximadamente R$ 7 milhões em um intervalo de três anos, montante considerado incompatível com sua remuneração como servidora pública.

O delegado informou que o caso começou a ser investigado após a vítima procurar a Polícia Civil para denunciar a extorsão. Ao longo de cerca de um ano, foram autorizadas pela Justiça medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal e de inteligência financeira, além da análise de aparelhos eletrônicos e conversas entre os envolvidos.

Embora a investigação tenha sido instaurada para apurar a extorsão, os elementos reunidos indicam que outros integrantes teriam colaborado na ocultação da origem dos valores e na circulação do dinheiro entre diversas contas.

Segundo Hugo Abdon, o grupo utilizava operações sucessivas para dificultar o rastreamento financeiro pelos órgãos de fiscalização.

"Quem pratica lavagem de dinheiro procura justamente criar várias camadas de movimentação financeira para esconder a origem dos recursos. O dinheiro circula entre diferentes contas antes de chegar ao destinatário final", afirmou.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os investigados optaram por exercer o direito constitucional ao silêncio e, segundo a Polícia Civil, não apresentaram explicações para as elevadas movimentações financeiras identificadas durante a investigação.

Na operação, foram apreendidos dois automóveis, quatro motocicletas, celulares e documentos diversos, incluindo contratos, notas promissórias e registros de imóveis, que passarão por análise pericial.

A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias dos investigados. A medida busca preservar valores para eventual ressarcimento da vítima, enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações para esclarecer a destinação do dinheiro e identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa.