Uma decisão do governo de Mato Grosso sobre o futuro do atendimento de urgência e emergência abriu uma crise na saúde pública e colocou em lados opostos autoridades, profissionais e parlamentares.
Durante entrevista à Rádio Capital FM, o governador em exercício Otaviano Pivetta afirmou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deixará de operar no formato atual no estado. Segundo ele, a responsabilidade pelos atendimentos passará a ser do Corpo de Bombeiros.
“Esse é um serviço essencial. O Samu é importantíssimo, mas a partir daqui quem faz é o Corpo de Bombeiros”, declarou. O gestor ainda reforçou que a mudança tem foco na redução de custos e reestruturação administrativa: “Nós vamos diminuir custos, simplificar a máquina, diminuir onde é possível”.
A decisão, que já vinha sendo discutida internamente, faz parte de um plano mais amplo de reorganização do sistema e, segundo o governo, não comprometeria o atendimento à população, que continuará sendo prestado sob nova gestão operacional.
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No entanto, o anúncio caiu como uma bomba entre trabalhadores da saúde. A recente demissão de 56 profissionais do Samu agravou o cenário e desencadeou protestos e mobilizações políticas. Dados apresentados por representantes da categoria apontam que o serviço já opera com estrutura reduzida, com apenas parte das equipes em funcionamento na região metropolitana.
A situação também mobilizou lideranças políticas. Parlamentares da área da saúde alertam para os riscos de mudanças bruscas em um serviço que exige atendimento especializado e regulação médica. O debate ganhou força na Assembleia Legislativa, onde deputados articulam medidas para evitar prejuízos à população.
Horas após a repercussão negativa, o governo divulgou posicionamento baseado em manifestação do Ministério Público, que minimizou os impactos da mudança. Segundo a avaliação, não há prejuízo ao atendimento e, ao contrário, a integração entre os serviços pode trazer mais agilidade.
De acordo com a informação divulgada pela gestão estadual, houve aumento no número de equipes disponíveis e redução no tempo de resposta das ocorrências, com melhora na eficiência do sistema — embora os dados detalhados não tenham sido apresentados publicamente.
Apesar disso, o clima ainda é de incerteza. Enquanto o governo defende modernização e economia, profissionais da saúde e especialistas cobram garantias de que a população não ficará desassistida em situações críticas.