Em Várzea Grande, a realidade vivida por moradores de bairros periféricos tem sido marcada por abandono, falta de infraestrutura e indignação crescente. A denúncia feita pela moradora Mãe Kaká Garcia, residente há quatro anos no Residencial São Francisco, no Capão Grande, escancara uma situação que, segundo ela, se agrava na atual gestão da prefeita Flávia Moretti.
Apesar de não enfrentar problemas com falta de água, já que o abastecimento local é feito por poço artesiano, a moradora relata que isso está longe de significar qualidade de vida. “O que enfrentamos aqui é outro tipo de abandono, visível, diário e revoltante”, afirma.
Segundo o relato, o bairro está tomado pelo mato, com praças completamente deterioradas e ruas esburacadas que colocam em risco a segurança dos moradores. A situação se agrava ainda mais com o forte mau cheiro vindo de curtumes e frigoríficos da região. “É um cheiro insuportável que invade nossas casas e tira a dignidade de quem vive aqui”, desabafa.
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Outro problema recorrente é a presença de animais soltos pelas ruas. Cavalos circulam livremente, espalham lixo e representam perigo constante, principalmente para crianças e idosos. A moradora também chama atenção para a precariedade da estrada próxima à MT, onde, segundo ela, acidentes fatais já ocorreram por falta de estrutura.
A mobilidade urbana é outro ponto crítico. O trecho entre a escola do Capão Grande e o bairro São Francisco é praticamente intransitável para pedestres. “É só mato, sem calçada, sem estrutura nenhuma”, relata. A falta de iluminação pública também já deixou moradores em situação de vulnerabilidade, aumentando o medo e a insegurança.
O sentimento, segundo Mãe Kaká, é de completo abandono. Ela destaca que o problema não é isolado, citando também o bairro Carrapicho como exemplo de descaso. “Parece que somos lembrados apenas em época de eleição”, critica.
A moradora ainda compara a atual gestão com a anterior, do ex-prefeito Kalil Baracat. Segundo ela, mesmo com dificuldades, havia presença do poder público. “Não era perfeito, mas existia manutenção, equipes apareciam. Hoje, o abandono é muito mais evidente”, afirma.
Para a comunidade, o que falta é o básico: limpeza, infraestrutura, iluminação e fiscalização. “Isso impacta diretamente nossa saúde, nosso bem-estar e até nossa segurança”, pontua.
Em um apelo direto à prefeita, a moradora reforça: “Venha viver a nossa realidade antes de tomar decisões. Olhe para os bairros esquecidos, escute a população e faça o básico acontecer”.
O principal pedido dos moradores é dignidade. Ruas trafegáveis, limpeza, iluminação e respeito. Apesar das dificuldades, ainda existe esperança — mas, como destaca Mãe Kaká, ela precisa vir acompanhada de ações concretas.
A denúncia se resume em uma frase forte, que ecoa o sentimento da população:
“Várzea Grande hoje é uma cidade onde o povo resiste, mas o poder público insiste em esquecer.”




Reprodução: Arquivo pessoal Mãe Kaká Garcia