FRAUDE NO AGRO

Gaeco aponta empresário e filha como líderes de esquema que teria causado prejuízo de R$ 28,7 milhões

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Gaeco aponta empresário e filha como líderes de esquema que teria causado prejuízo de R$ 28,7 milhões
Foto: Reprodução/Secom-MT

Justiça determinou buscas, bloqueio de ativos e medidas cautelares contra empresário e filha investigados pela Operação Safra Desviada

O empresário Renato Antonio Duarte e a filha dele, Marianna Costa Araujo Duarte Mota, foram identificados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como peças centrais da investigação conduzida na segunda fase da Operação Safra Desviada. O inquérito apura um suposto esquema que teria causado prejuízo estimado em R$ 28,7 milhões a produtores do setor algodoeiro em Mato Grosso.

Segundo informações constantes em decisão judicial divulgada pelo Folha Max, os investigadores apontam que os dois exerciam influência sobre unidades de beneficiamento de algodão e, a partir dessa posição, promoviam alterações na classificação visual da pluma. A prática, conforme o Gaeco, reduzia artificialmente o padrão de qualidade da produção entregue pelos agricultores, ocasionando descontos financeiros indevidos e até o rompimento de contratos comerciais com empresas compradoras.

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Na sexta-feira (24), a força-tarefa cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, além de medidas destinadas à indisponibilidade de patrimônio. As diligências ocorreram em imóveis ligados aos investigados nas cidades de Lucas do Rio Verde, Sinop, Tapurah e Nova Ubiratã, em Mato Grosso, bem como em Presidente Prudente e Álvares Machado, no estado de São Paulo.

Ao analisar o pedido do Ministério Público, a juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Sinop, entendeu que havia elementos suficientes para impor medidas cautelares aos investigados. Entre as determinações estão a proibição de deixar o município onde residem sem autorização judicial e a obrigação de comparecimento periódico ao Poder Judiciário.

Para a magistrada, os elementos reunidos até o momento indicam a possibilidade de interferência na produção de provas e eventual ocultação de documentos relevantes para a investigação, justificando a adoção das restrições.

As investigações também apontam a participação de outros envolvidos. Conforme o Gaeco, um ex-funcionário que mantinha relação de confiança com produtores rurais teria atuado para direcionar operações comerciais a empresas vinculadas ao grupo investigado. O mecanismo envolveria cessões de crédito consideradas irregulares, permitindo que recursos fossem desviados para contas de terceiros e pessoas jurídicas utilizadas para mascarar a origem dos valores.

Outro aspecto destacado pelos investigadores é que, após a primeira etapa da Operação Safra Desviada, deflagrada em fevereiro, Renato Antonio Duarte teria retirado documentos e equipamentos da empresa sob investigação. A informação foi considerada pela Justiça como mais um indicativo da necessidade de preservar provas e evitar possíveis prejuízos ao andamento das apurações.

Além das buscas e das medidas impostas aos investigados, a Justiça também autorizou o bloqueio de ativos financeiros de empresas que, conforme o Ministério Público, fariam parte da estrutura utilizada para movimentar os recursos provenientes das supostas fraudes.

A investigação segue em andamento e busca esclarecer a dimensão dos prejuízos causados ao agronegócio, além de identificar todos os envolvidos no suposto esquema.