LAVAGEM DE DINHEIRO

Fundo citado em apuração sobre o PCC recebeu R$ 357 milhões em créditos do Banco Master

· 2 min de leitura
Fundo citado em apuração sobre o PCC recebeu R$ 357 milhões em créditos do Banco Master
Fachada do Banco Master - Foto: Reprodução

Investigação aponta que operações poderiam ter sido usadas para abrir espaço para novas captações por meio de CDBs

Um levantamento baseado em documentos apresentados à Justiça aponta que o Banco Master transferiu ao menos R$ 3,6 bilhões em direitos de crédito para fundos administrados ou ligados à gestora Reag, empresa que é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira e lavagem de dinheiro relacionada ao setor de combustíveis.

As informações constam em uma lista de 112 operações de cessão de crédito entregue pelo liquidante do Banco Master durante um processo judicial envolvendo Henrique Vorcaro, pai do controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Na ação, Henrique tenta reverter a decisão que determinou o bloqueio de seus bens.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

Segundo as investigações da PF, a Reag teria participado da criação e administração de fundos utilizados para movimentações financeiras consideradas atípicas. Os investigadores suspeitam que esses veículos de investimento tenham servido para inflar artificialmente resultados financeiros e ocultar recursos de origem ilícita. Entre os investigados está o fundador da gestora, João Carlos Mansur.

A principal hipótese da Polícia Federal é que o Banco Master utilizava a cessão de créditos para retirar empréstimos de seu balanço, abrindo espaço para novas captações por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Conforme a linha investigativa, o dinheiro obtido com os CDBs era emprestado a empresas que, posteriormente, direcionavam parte desses recursos para fundos de investimento. Esses fundos, por sua vez, compravam os próprios créditos originados pelo banco. Os débitos acabariam sem cobrança efetiva, deixando o prejuízo concentrado nos fundos envolvidos.

O levantamento identificou que os R$ 3,6 bilhões foram distribuídos entre 11 fundos de investimento em operações realizadas entre 2021 e 2025. Em diversos casos, os contratos de empréstimo foram firmados e transferidos aos fundos na mesma data.

Entre os exemplos identificados estão seis operações que totalizam R$ 130 milhões em empréstimos concedidos a empresas do grupo Gafisa, companhia que tem o investidor Nelson Tanure entre seus acionistas.

Os documentos mostram que, no mesmo dia da contratação dos empréstimos, os créditos foram cedidos ao fundo Yvrac Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que possui participação do próprio Banco Master. As operações começaram em 2022 e seguiram até setembro de 2025.

Em relatório trimestral, a Reag afirmou que os ativos integrantes da carteira do fundo estavam compatíveis com sua finalidade e atendiam às exigências previstas para fundos de direitos creditórios.

O levantamento também identificou o repasse de R$ 357 milhões em créditos para o fundo Astralo 95, um dos veículos mencionados na Operação Carbono Oculto, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e ocultação de patrimônio ligado ao setor de combustíveis e atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O Astralo 95 integra um conjunto de fundos apelidado de "estrutura Frozen", cujos nomes fazem referência a personagens da animação da Disney, como Anna, Olaf, Hans e Sven.

As operações direcionadas ao Astralo 95 envolvem empréstimos concedidos entre 2022 e 2024 para oito pessoas físicas e jurídicas diferentes.

Além da investigação criminal, o fundo também aparece em ações movidas pelo liquidante do Banco Master, que busca impedir a dissipação do patrimônio da instituição financeira.

Em um dos episódios citados no processo, o fundo Anna teria registrado um ganho de aproximadamente R$ 200 milhões em menos de 24 horas. Segundo os documentos, o veículo adquiriu cotas do fundo RSG, pertencentes ao Astralo 95, por R$ 900 milhões e, ainda no mesmo dia, revendeu esses ativos ao fundo Máxima 2, controlado pelo Banco Master, por R$ 1,1 bilhão.