Carlos Felipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, passou semanas internado, perdeu parte do intestino e hoje depende da família para atividades básicas
O entregador Carlos Felipe Magalhães Fernandes, de 34 anos, teve a rotina completamente modificada depois de ser baleado no bairro CPA IV, em Cuiabá, no dia 22 de julho. Ele havia ido ao local para devolver um celular que havia encontrado, mas acabou atingido por mais de dez disparos efetuados pela policial penal Jorcenilma Franca Viegas.
Sobrevivente do ataque, Carlos passou semanas internado e precisou enfrentar procedimentos cirúrgicos considerados complexos. Atualmente, utiliza cadeira de rodas e depende da ajuda de familiares para realizar atividades que antes faziam parte de sua rotina.
Em entrevista ao site MTContexto, ele contou como o episódio afetou não apenas sua saúde, mas também sua vida emocional e financeira.
Carlos havia encontrado o aparelho celular pertencente à filha de uma servidora pública e entrou em contato para combinar a devolução. Ele foi até o endereço acertado para entregar o objeto.
A versão inicial registrada pela Polícia Militar apontava uma possível tentativa de extorsão. Entretanto, a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apresentou outra dinâmica para o episódio.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores registraram o momento em que Carlos entrega o aparelho. Na sequência, Jorcenilma aparece armada, determina que ele se deite e realiza os disparos.
A policial penal teve a prisão preventiva decretada no início de agosto e o caso segue sendo investigado pelas autoridades.
Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)
O ataque provocou ferimentos graves em Carlos. Durante o período em que permaneceu internado no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), ele passou por cirurgias e teve parte do intestino retirada em razão das lesões provocadas pelos tiros.
Os ferimentos também comprometeram sua mobilidade. Desde então, ele precisa utilizar cadeira de rodas e realizar tratamento para tentar recuperar os movimentos das pernas.
A mudança afetou diretamente tarefas simples do cotidiano. Tomar banho, levantar-se, ir ao banheiro e se locomover pela própria casa passaram a exigir auxílio de outras pessoas.
“Eu saí de casa para fazer uma boa ação e voltei em uma cadeira de rodas. Minha vida hoje se resume a sentir dor e depender dos outros para absolutamente tudo. É humilhante e desesperador para quem sempre trabalhou”, relatou.
Antes dos disparos, Carlos trabalhava como entregador por aplicativo. Com a perda temporária da mobilidade, ele ficou impossibilitado de exercer a atividade que garantia sua renda.
Além das limitações físicas, o tratamento trouxe novas despesas. Medicamentos, materiais utilizados no período de recuperação, sessões de fisioterapia e adaptações necessárias para tornar a residência mais acessível estão entre os custos enfrentados pela família.
Diante da situação, familiares, amigos e moradores da região passaram a organizar uma rede de solidariedade para auxiliar nas despesas.
A arrecadação busca principalmente garantir a continuidade do tratamento médico, custear medicamentos e insumos, financiar sessões de fisioterapia e ajudar nas despesas básicas da casa.
O caso permanece sob investigação e análise do Poder Judiciário de Mato Grosso. Além da responsabilização criminal, a defesa de Carlos também busca medidas para garantir a reparação pelos prejuízos provocados pelo ataque.