NEGOCIAÇÃO TRAVADA

"Fora Vieira": bancários protestam contra presidente da Caixa durante greve em MT

· 3 min de leitura
"Fora Vieira": bancários protestam contra presidente da Caixa durante greve em MT
Foto: Reprodução / Rodinei Crescêncio/

Sindicato aponta aumento no custo do Saúde Caixa, redução do quadro de funcionários e sobrecarga nas agências

Um grupo de aproximadamente 50 trabalhadores participou, na manhã desta terça-feira (15), de um protesto em frente a uma unidade da Caixa Econômica Federal em Mato Grosso. A manifestação foi organizada pelo Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB-MT) e faz parte da mobilização nacional da categoria, que está em greve por tempo indeterminado.

O ato teve início por volta das 10h e, segundo o sindicato, teve como objetivo chamar a atenção da população para as reivindicações dos empregados e pressionar a direção da Caixa a retomar as negociações após a rejeição da proposta apresentada pelo banco.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

Durante a manifestação, o presidente do SEEB-MT, João Dourado, afirmou que a categoria cobra melhores condições de trabalho, realização de novos concursos e preservação de direitos trabalhistas.

“Esse ato é um ato de mobilização para mostrar para a sociedade que os bancários e bancárias da Caixa Econômica estão em greve desde a semana passada por melhores condições de trabalho, por mais concurso público e, acima de tudo, por manutenção e garantia de direitos”, declarou.

Entre os principais pontos de discordância está o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados. De acordo com Dourado, a proposta apresentada pela instituição prevê que os trabalhadores assumam parte de um déficit superior a R$ 700 milhões.

Na avaliação do sindicalista, a medida representaria um impacto significativo para os empregados, que já enfrentariam uma rotina de trabalho marcada pela falta de funcionários nas unidades.

O diretor do SEEB-MT e funcionário da Caixa, Luiz Edwiges, afirmou que as tratativas entre trabalhadores e banco começaram no início do ano e já somaram 13 rodadas de negociação. Segundo ele, houve entendimento em relação às questões econômicas, mas a assinatura do acordo específico da categoria ficou condicionada à aprovação de mudanças no plano de saúde.

Edwiges sustenta que a alteração elevaria em 100% o custo atualmente pago pelos empregados. Para ele, o impacto acabaria anulando parte do reajuste negociado para o período.

“Isso significa impor uma perda real para os empregados da Caixa na ordem de 2%. Então não dá para negociar a inflação de 4% durante o período de um ano, ao passo que a gente está perdendo 2% só da assinatura do acordo”, afirmou.

Além da questão do plano de saúde, os trabalhadores também reivindicam a recomposição do quadro de empregados. Segundo Edwiges, a Caixa teria reduzido em mais de 20 mil o número de funcionários nos últimos 12 anos, período em que 253 unidades também teriam sido fechadas.

O dirigente criticou ainda o sistema de bonificação baseado no cumprimento de metas. Conforme relatou, o modelo foi elaborado sem participação efetiva dos trabalhadores e das entidades sindicais.

Em Mato Grosso, o sindicato afirma que a redução do quadro é percebida diretamente nas agências. Dourado estima que exista um déficit médio de dois a três trabalhadores por unidade, com situação considerada ainda mais crítica nos municípios do interior.

Segundo o presidente do sindicato, há agências que funcionam com apenas quatro ou cinco funcionários para atender demandas bancárias e serviços relacionados a programas sociais, enquanto algumas unidades necessitariam de equipes de dez a 12 pessoas.

“Aí os trabalhadores estão sobrecarregados. Isso atrasa também o atendimento. Às vezes o cliente chega aqui e fica duas, três horas para ser atendido. Não é culpa do funcionário. É porque está sobrecarregado, estão faltando funcionários”, disse.

Durante a manifestação, os participantes também entoaram gritos de “Fora Vieira”, em referência ao presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira.

De acordo com o sindicato, a paralisação atinge agências e departamentos da Caixa em Mato Grosso. Com as unidades sem atendimento presencial, os clientes ainda podem utilizar terminais de autoatendimento e correspondentes bancários, como as casas lotéricas.

Edwiges, porém, alertou que o funcionamento dos terminais pode sofrer alterações em determinadas unidades, principalmente onde trabalhadores das áreas de tecnologia também aderiram à greve.

A categoria afirma que não há prazo definido para o fim da paralisação. A retomada das atividades, segundo Dourado, dependerá da apresentação de uma nova proposta pela Caixa e da reabertura das negociações.

“A greve é para um tempo indeterminado, depende da Caixa. Se ela chamar para negociar, nós estamos à disposição, desde que ela leve a sério a negociação e apresente uma proposta que seja justa, possível de ser avaliada pela categoria”, afirmou.

A paralisação dos empregados da Caixa em Mato Grosso faz parte de uma mobilização nacional iniciada na quinta-feira (10), depois que a maioria dos sindicatos rejeitou, em assembleias realizadas em diferentes estados, a proposta apresentada pela instituição.

As negociações envolvem a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa e tratam do acordo coletivo específico da categoria. Conforme as informações divulgadas anteriormente, a proposta apresentada pelo banco tinha validade até sexta-feira (11). Sem aprovação, uma das possibilidades discutidas é o encaminhamento do impasse para dissídio coletivo na Justiça do Trabalho.

Segundo Edwiges, a possibilidade de judicialização continua sendo mencionada pela Caixa, mas os trabalhadores defendem que as negociações sejam esgotadas antes de qualquer medida judicial.