Em vídeo gravado na sede da PF, Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro afirmou desconhecer o motivo da prisão preventiva e disse nunca ter sido chamada para prestar depoimento
“Eu não sei do que se trata.” Foi assim que a advogada e empresária Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro reagiu à própria prisão durante a Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (25) para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar no transporte aéreo internacional de drogas e armas.
Em um vídeo gravado enquanto estava na sede da Polícia Federal, em audiência de custódia, em Cuiabá, Thatiana aparece emocionada e afirma que não entende por que teve a prisão preventiva decretada. Segundo ela, nunca havia sido conduzida a uma delegacia, nem chamada anteriormente para prestar esclarecimentos.
“Eu nunca pisei numa delegacia, eu nunca fui chamada para ouvir nada”, declarou.
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A empresária também afirmou que possui endereço fixo em Cuiabá, onde mora há cerca de 20 anos, mantém comércio na cidade e possui redes sociais abertas. Ela destacou ainda que declara Imposto de Renda e disse não compreender como uma prisão preventiva teria sido determinada sem que, segundo seu relato, tivesse sido previamente ouvida.
“Eu estou me sentindo num mundo totalmente fora da minha realidade”, afirmou.
Prisão durante operação
Thatiana foi presa preventivamente em Cuiabá durante a operação conduzida pela Polícia Federal do Tocantins. Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e no Tocantins. A Justiça também determinou medidas de apreensão de aeronaves e bloqueio de bens e valores.
A investigação mira uma organização criminosa suspeita de utilizar aeronaves e pistas clandestinas para transportar grandes carregamentos de cocaína e armas de fogo. Segundo informações divulgadas sobre a operação, a estrutura investigada teria conexão com cargas provenientes da Bolívia e do Peru.
Apesar de ter sido incluída entre os alvos da investigação, a Polícia Federal ainda não detalhou publicamente qual seria, especificamente, o papel atribuído a Thatiana no suposto esquema.
Durante o relato, a advogada também questionou o que considera incompatível entre sua rotina e a necessidade de uma prisão preventiva.
“Eu tenho comércio na cidade, eu tenho endereço fixo, eu moro há 20 anos em Cuiabá. Eu não sei do que se trata”, disse.
Ela afirmou ainda que suas redes sociais são públicas e que mantém uma rotina profissional conhecida. Para Thatiana, esses fatores deveriam ser considerados na avaliação de sua situação.
A empresária também mencionou ter um irmão preso e levantou a possibilidade de que a ordem judicial estivesse relacionada a ele.
"Tenho um irmão que tá preso fora.Imagino que tivesse algo ligado a ele por conta de um mandado lá de Tocantins", disse.
O irmão de Thatiana, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, está preso desde fevereiro de 2025, quando foi detido no Tocantins após ser abordado pilotando uma aeronave que transportava aproximadamente 475 quilos de cocaína, além de maconha ou haxixe.
A defesa de Thatiana sustenta que a investigação estaria relacionando a empresária a fatos envolvendo o irmão, mas nega que ela tenha participação no esquema investigado. O Diário de Cuiabá informou que, segundo a defesa, elementos atribuídos a Thatiana estariam relacionados a mensagens trocadas com o advogado do irmão.
A eventual ligação entre os casos ainda deverá ser esclarecida no decorrer da investigação.
Além de negar envolvimento com a organização criminosa, a defesa questiona a forma como as medidas foram cumpridas. Segundo informações divulgadas pelo Tribunal de Defesa das Prerrogativas da OAB-MT, foram apontadas possíveis irregularidades durante o cumprimento das ordens na residência da advogada, incluindo a ausência de acompanhamento da Ordem no início das buscas.
A defesa também já pediu a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares.
Após a audiência de custódia, Thatiana foi encaminhada para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, onde ficou em espaço destinado a juristas.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Federal do Tocantins. Até o momento, a participação individual de Thatiana no suposto esquema não foi detalhada publicamente, e as alegações apresentadas pela defesa deverão ser analisadas no processo.
A empresária permanece sob custódia enquanto a Justiça avalia os pedidos apresentados por sua defesa.