Condutor afirmou à Polícia Civil que trafegava entre 30 e 40 km/h e não percebeu a travessia da vítima
O estudante de medicina de 29 anos que atropelou e matou Valdemir Ernesto dos Santos, de 85 anos, na Avenida Beira Rio, em Cuiabá, afirmou à Polícia Civil que desviou a atenção para o painel do carro segundos antes do acidente. Ele também alegou que não conseguiu visualizar o idoso porque a vítima estaria em um “ponto cego” do veículo.
O acidente ocorreu na última sexta-feira (2) e também deixou um motociclista ferido. A identidade do motorista não foi divulgada.
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Em depoimento ao delegado Christian Cabral, da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), o estudante contou que havia reduzido a velocidade ao passar por um quebra-mola e, na sequência, voltou a acelerar.
“Eu dei uma freadinha no quebra-mola, depois uma aceleradinha para sair do quebra-mola. Nisso, me distraí sem querer, olhando para o painel do carro, e aconteceu o acidente”, relatou.
Segundo o motorista, ele trafegava entre 30 km/h e 40 km/h e teria olhado para o painel justamente para conferir a velocidade. Ele afirmou ainda que não percebeu uma motocicleta parada à sua frente nem viu Valdemir começar a atravessar a avenida.
“Não consegui ver, estava no ponto cego atrás do carro”, declarou.
A versão apresentada pelo estudante faz parte do depoimento prestado após o acidente. Imagens de uma câmera de segurança também registraram a sequência da colisão.
No vídeo, Valdemir, que utilizava uma muleta, aparece aguardando uma redução no movimento de veículos para atravessar a avenida fora da faixa de pedestres. Um motociclista percebe a presença do idoso e diminui a velocidade para permitir a passagem.
Logo depois, o Volkswagen Polo conduzido pelo estudante atinge a motocicleta e, na sequência, atropela Valdemir. O idoso é arremessado e cai sobre a pista. O motociclista também sofre uma queda, mas consegue se levantar.
Quando as equipes policiais chegaram, três ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estavam no local. Valdemir havia sido colocado em uma das unidades, mas a morte já tinha sido constatada pelo médico.
A área foi isolada para os procedimentos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e da Deletran.
O motorista foi submetido ao teste do bafômetro após o acidente. Conforme o registro da ocorrência, tanto o primeiro exame quanto o reteste apresentaram resultado de 0,51 mg/L de álcool por litro de ar alveolar.
Diante do resultado, ele foi conduzido pela Polícia Civil e preso por embriaguez ao volante.
Apesar disso, o estudante deixou a delegacia depois de pagar fiança de R$ 25 mil, arbitrada pela autoridade policial.
De acordo com o delegado Christian Cabral, o motorista responde por homicídio culposo qualificado pela embriaguez, lesão corporal culposa e embriaguez ao volante.
O delegado explicou que o estudante permaneceu no local e prestou assistência após o acidente. Por essa razão, segundo ele, foi aplicado o artigo 301 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que impede a prisão em flagrante relacionada ao acidente quando o condutor presta pronto e integral socorro à vítima.
“Como ele permaneceu no local do sinistro e prestou socorro às vítimas do homicídio e da lesão, teve direito à imunidade processual do art. 301, do CTB, não podendo ser preso em flagrante pelos crimes de homicídio e lesão praticados”, explicou Cabral.
A prisão ocorreu exclusivamente pelo crime de embriaguez ao volante. Como a infração admite arbitramento de fiança pela autoridade policial, o estudante pôde ser colocado em liberdade após efetuar o pagamento.
“Foi preso apenas pela prática do crime isolado de embriaguez e, como esse crime dá direito a fiança na esfera policial, após o pagamento dessa, foi liberado para responder pelos três crimes em liberdade”, acrescentou o delegado.
O vídeo com o depoimento do estudante foi divulgado pelo programa SBT Comunidade, enquanto as explicações do delegado sobre a liberação foram dadas ao MidiaNews.