Conflito começou após moradores reclamarem do barulho provocado por papagaios mantidos pelo advogado em um condomínio
Uma discussão entre moradores de um condomínio em Cuiabá, iniciada após reclamações sobre o barulho provocado por papagaios, terminou com registros de ocorrência e medidas protetivas contra o advogado Reinaldo Américo Ortigara.
Segundo boletins de ocorrência, a situação começou nas primeiras horas de um domingo, quando moradores reclamaram do barulho causado pelos animais mantidos pelo advogado. Ortigara foi incluído no grupo de comunicação do condomínio para tomar conhecimento das queixas.
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A conversa, conforme os relatos apresentados às autoridades, evoluiu para uma discussão. O advogado teria afirmado que os animais permaneceriam no local e relacionado a situação à presença de fezes de cachorros em seu gramado.
Durante a troca de mensagens, a juíza Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima relatou ter sido alvo de declarações que considerou ofensivas e de caráter machista. De acordo com o registro feito pela magistrada, Ortigara teria afirmado que nenhum homem seria “macho” o suficiente para fazê-lo retirar os animais.
A esposa do delegado Bruno de Abreu, Silvana Alves de Souza, também registrou ocorrência sobre o episódio. Conforme o relato, ela tentou intermediar a discussão e explicar o incômodo provocado pelos papagaios.
Ainda segundo Silvana, ao ser informado de que os cães que costumavam fazer necessidades no gramado haviam morrido, o advogado teria respondido de forma irônica e feito uma declaração desejando que outros animais também morressem.
Em outro momento da conversa, segundo o boletim, Ortigara teria enviado imagens de fezes encontradas no gramado e direcionado uma mensagem a Silvana, insinuando que ela poderia estar envolvida na situação.
Após os registros de ocorrência, o caso chegou ao Judiciário. O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da Comarca Criminal de Cuiabá, determinou medidas protetivas em favor de Silvana.
A decisão impede o advogado de se aproximar dela, de familiares e de testemunhas a menos de 1 mil metros. Também foi proibido qualquer tipo de contato, seja pessoalmente ou por telefone, aplicativos e outros meios de comunicação.
Outra determinação impede Ortigara de frequentar a residência e o local de trabalho da vítima, como forma de preservar sua integridade física e psicológica.
A juíza Henriqueta também procurou as autoridades e registrou ocorrência relacionada às mensagens que recebeu durante a discussão. As situações relatadas por ela e por Silvana foram apresentadas às autoridades para análise.
O advogado já esteve envolvido em outros episódios que tiveram repercussão pública.
Em 2024, Ortigara foi acusado de fazer declarações consideradas machistas contra advogadas em um grupo de WhatsApp. Na ocasião, ele ocupava o cargo de conselheiro estadual e acabou afastado da função. O caso foi encaminhado para investigação.
Em outro episódio, o advogado foi preso em flagrante após uma ocorrência em um shopping de Várzea Grande. Conforme as informações divulgadas na época, ele teria sido visto portando uma arma de fogo durante uma discussão com uma mulher. A Polícia Militar foi acionada e efetuou a prisão.
O delegado Bruno Abreu afirmou que não participou de qualquer procedimento funcional relacionado ao episódio envolvendo sua esposa. Segundo ele, por estar pessoalmente envolvido na situação, deixou que as providências fossem adotadas pelas autoridades competentes.
Em manifestação, Abreu disse que as mensagens e demais elementos foram preservados e encaminhados para análise. Ele afirmou ainda que sua preocupação é com a segurança da esposa e da família e defendeu que o conflito seja solucionado pelas vias legais.
O caso permanece sob análise das autoridades, e as medidas protetivas determinadas pela Justiça continuam em vigor.
Veja os prints das conversas



