OPERAÇÃO SIMULACRUM

Delator fica em silêncio e Justiça adia interrogatório em processo que envolve PMs

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Delator fica em silêncio e Justiça adia interrogatório em processo que envolve PMs
Operação cumpriu 115 mandados judiciais, entre prisões e buscas, contra policiais militares em MT - Foto: Reprodução: PJC-MT

Ruiter Cândido da Silva será ouvido ao fim da instrução; audiência de julgamento foi remarcada para outubro

A Justiça de Mato Grosso adiou o interrogatório antecipado do vigilante Ruiter Cândido da Silva, um dos réus da Operação Simulacrum, após a Defensoria Pública informar que ele pretende permanecer em silêncio enquanto não houver uma definição sobre eventual acordo de colaboração premiada. A audiência de instrução e julgamento foi redesignada para os dias 1º e 2 de outubro, em Cuiabá.

A decisão foi tomada pelo juiz André Barbosa Guanaes Simões, que considerou que, nas circunstâncias atuais, não haveria utilidade prática em manter uma audiência exclusivamente para antecipar o depoimento do acusado.

O magistrado ressaltou, porém, que a manifestação da defesa não representa uma renúncia definitiva ao interrogatório. Ruiter deverá ser ouvido ao final da instrução, conforme estabelece o Código de Processo Penal, podendo decidir se responderá aos questionamentos ou exercerá novamente o direito constitucional ao silêncio.

As audiências serão realizadas por videoconferência, com possibilidade de participação presencial das partes no fórum.

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Ruiter está inserido em um programa de proteção e é apontado como o delator que forneceu informações que subsidiaram a deflagração da Operação Simulacrum. De acordo com as investigações, ele teria atuado na aproximação de pessoas envolvidas em supostos crimes patrimoniais, em ações que, segundo a acusação, teriam participação de policiais militares.

O grupo foi denunciado pela morte de Mayk Sanchez Sabino e por tentativas de homicídio contra Rômulo Silva Santos e outras duas pessoas. A denúncia é resultado da Operação Simulacrum, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Mato Grosso em 2022.

Operação Simulacrum

A operação cumpriu 115 mandados judiciais, entre prisões e buscas, contra policiais militares investigados por supostamente forjar confrontos para executar suspeitos. As investigações apontaram que os crimes teriam ocorrido entre 2017 e 2020, em Cuiabá e Várzea Grande.

Segundo informações que embasaram a operação, os supostos homicídios teriam sido praticados com o objetivo de beneficiar integrantes do grupo, inclusive com possíveis vantagens relacionadas a promoções e aos batalhões onde estavam lotados.

Ao todo, 64 policiais foram presos durante a operação, que teve como um dos pontos de partida o depoimento prestado por Ruiter ao Ministério Público de Mato Grosso.

A Justiça ainda deverá analisar os elementos apresentados no processo, enquanto as audiências previstas para outubro darão continuidade à instrução do caso.