Jurados acolheram todas as qualificadoras e condenaram Gabriel Brites de Morais por organização criminosa armada e pela execução de duas vítimas em Várzea Grande
O Tribunal do Júri de Várzea Grande condenou, na última quarta-feira (5), Gabriel Brites de Morais a 45 anos e 9 meses de prisão pela participação em uma organização criminosa armada e pelo assassinato de Lucas Mendonça Neves, de 17 anos, e Luiz Fernando Ribeiro Batista, de 29. A sentença reconheceu todas as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público: motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.
O crime ocorreu na noite de 27 de agosto de 2025, em um centro de recuperação localizado no bairro Treze de Setembro, em Várzea Grande. Conforme as investigações, Lucas e Luiz Fernando eram apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e teriam sido executados por integrantes do Comando Vermelho (CV), em um episódio tratado pela acusação como um "tribunal do crime", prática utilizada por facções para julgar e eliminar integrantes de grupos rivais.
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Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Gabriel agiu em conjunto com outros comparsas na execução. O grupo invadiu o centro de recuperação com os rostos cobertos, rendeu as pessoas que estavam no local e retirou as duas vítimas dos demais internos. Em seguida, elas foram levadas para uma área sob uma árvore, onde foram atingidas por diversos disparos de arma de fogo. Após o crime, os autores fugiram.
À época dos fatos, Luiz Fernando respondia na Justiça por crimes como roubo, furto, tráfico de drogas e ameaça. Já o adolescente Lucas possuía passagens por ato infracional análogo à posse ilegal de arma de fogo e tráfico de entorpecentes, além de já ter sobrevivido a uma tentativa de homicídio. Ambos eram naturais de Cáceres e estavam em Várzea Grande havia aproximadamente dois meses.
O duplo homicídio teve ampla repercussão no estado em razão da brutalidade da execução e da disputa entre facções criminosas. Após o crime, imagens divulgadas nas redes sociais mostravam supostos integrantes do Comando Vermelho comemorando as mortes com mensagens como "CPF cancelado" e "Não passa nada, se passa, nós mata".
Gabriel Brites foi preso em outubro de 2025 durante a Operação Recuperandos, conduzida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A ação ocorreu cerca de dois meses após os assassinatos. Outro investigado por envolvimento no caso morreu em confronto com policiais militares, também em Várzea Grande, e era apontado pelas investigações como um dos responsáveis pela disciplina da facção criminosa na região.
Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade de Gabriel Brites por todos os crimes descritos na denúncia, resultando na condenação a 45 anos e 9 meses de reclusão.