Cirurgiã torácica Larissa Lara destaca evolução dos tratamentos, importância do diagnóstico precoce e atuação de equipes multidisciplinares no enfrentamento da doença
Durante muitos anos, receber o diagnóstico de câncer de pulmão esteve associado a uma perspectiva extremamente negativa. O avanço da medicina, porém, vem mudando esse cenário e ampliando as possibilidades de tratamento, especialmente quando a doença é identificada e acompanhada por uma equipe especializada.
A avaliação é da cirurgiã torácica Dra. Larissa Lara, que destaca a evolução das estratégias terapêuticas e a importância de o paciente não encarar o diagnóstico como uma sentença definitiva.
“Até alguns anos atrás, receber o diagnóstico de câncer de pulmão era como receber uma sentença de morte. Mas, nos últimos anos, a medicina tem evoluído muito dentro deste quesito. E hoje a gente consegue falar em cura para grande parte dos pacientes”, afirma a especialista.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tratamento do câncer de pulmão é definido de acordo com o tipo de tumor, a extensão da doença e as características de cada paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia e tratamentos sistêmicos mais específicos, como terapias-alvo e imunoterapia.
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A evolução também pode ser observada nas novas opções terapêuticas incorporadas ao cenário brasileiro. Somente em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou novas indicações de medicamentos para diferentes tipos e estágios do câncer de pulmão, ampliando o arsenal disponível para determinados grupos de pacientes.
Diagnóstico e tratamento no tempo certo
Apesar dos avanços, a identificação da doença continua sendo um dos principais desafios. O INCA alerta que muitos casos são descobertos em fases mais avançadas, já que os sintomas podem aparecer somente quando a doença está evoluída.
Tosse ou rouquidão persistentes, dor no peito, dificuldade para respirar, sangramento pelas vias respiratórias, fraqueza e perda de peso sem causa aparente estão entre os sinais que precisam ser investigados por um profissional de saúde. Esses sintomas, isoladamente, não significam necessariamente câncer, mas merecem avaliação quando persistem.
A rapidez na investigação também pode fazer diferença no planejamento terapêutico. De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico precoce busca identificar o câncer em estágios iniciais e pode contribuir para terapias mais simples e efetivas.
Para Larissa Lara, diante de uma suspeita ou confirmação da doença, o paciente deve evitar o desespero e procurar profissionais preparados para avaliar cada caso de maneira individualizada.
“É importante que não entre em pânico, que você escolha uma equipe especializada e atualizada para que receba tratamento de ponta”, orienta.
Cuidado integrado
Outro ponto destacado pela cirurgiã é a importância da atuação conjunta de diferentes especialistas. Na avaliação da médica, o tratamento do câncer de pulmão exige uma abordagem integrada, capaz de considerar diferentes possibilidades terapêuticas de acordo com o estágio e as características do tumor.
“Então, cerque-se de sua rede de apoio, procure atendimento especializado, porque quanto mais rápido você conseguir o tratamento, maiores vão ser as suas chances de cura”, reforça Larissa.
O avanço da oncologia, portanto, tem contribuído para transformar a forma como o câncer de pulmão é enfrentado. Embora continue sendo uma doença grave e que exige investigação e acompanhamento médico, as possibilidades terapêuticas atuais são mais amplas e individualizadas do que no passado.
A principal mensagem, segundo a especialista, é que o diagnóstico não deve significar a perda da esperança. Informação, investigação adequada, diagnóstico em tempo oportuno e acompanhamento por uma equipe especializada podem ser decisivos na definição da melhor estratégia de tratamento para cada paciente.