Candidato a deputado federal afirma que acordo financeiro não foi cumprido e diz que não mudará de posição para receber recursos
A distribuição de recursos eleitorais voltou a provocar reclamações dentro do PL de Mato Grosso. Na reta final da campanha, o candidato a deputado federal Thiago Boava afirmou que ainda aguarda novos repasses da legenda e sustenta que um compromisso firmado anteriormente com sua candidatura não foi cumprido.
Boava tornou pública a insatisfação durante o lançamento da candidatura de José Medeiros (PL) ao Senado, realizado na semana passada, em Cuiabá. Além da questão financeira, o produtor rural expôs divergências em relação à estratégia adotada pelo partido para a disputa majoritária no Estado.
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O candidato disse não concordar com a aliança que reúne Wellington Fagundes (PL), concorrente ao Governo de Mato Grosso, e Janaina Riva (MDB), que disputa uma vaga no Senado. Segundo Boava, uma eventual liberação de recursos partidários não será suficiente para fazê-lo aderir ao palanque.
“Eu não concordo com o palanque que está aí [Wellington e Janaina]. E se o preço for subir no palanque para receber a contrapartida do partido, não me interessa”, afirmou.
As reclamações sobre o financiamento da campanha não são recentes. Desde o início de setembro, Boava vem alegando que o PL não teria honrado o que havia sido acertado com sua candidatura.
Informações disponíveis no DivulgaCand, sistema da Justiça Eleitoral, apontam diferenças nos valores destinados às candidaturas proporcionais da legenda. Boava e outros concorrentes que atualmente não exercem mandato receberam R$ 400 mil, enquanto candidatos que já ocupam cargos parlamentares tiveram repasses entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.
Durante o evento, Boava também foi questionado sobre sua relação com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A proximidade entre os dois levantou questionamentos sobre um possível apoio do candidato do PL ao republicano na disputa estadual.
Boava, porém, negou ter declarado apoio eleitoral a Pivetta e afirmou que não há manifestação pública sua defendendo a candidatura do governador. Ao justificar sua presença no evento, direcionou o discurso para José Medeiros e citou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Não tem um vídeo meu falando do Pivetta. Ocorre que o partido está pintado de verde e amarelo, mas não está trabalhando para quem deveria trabalhar. Esse que está aqui hoje [Medeiros]... É o que o Bolsonaro pediu. É por isso que estou aqui. Se fosse outro, não tinha vindo”, declarou.
A presença de Janaina Riva na composição estadual também foi alvo de questionamentos. Boava procurou separar sua divergência política da relação pessoal com os integrantes da aliança e afirmou que sua resistência está relacionada às pautas defendidas pelo grupo político com o qual se identifica.
“A coligação não interessa para as nossas pautas. Não é pessoal. Inclusive, tenho entendimento que até prejudica o motivo por quem estamos aqui hoje. Não é pessoal para ninguém”, disse.
Com a campanha eleitoral entrando nos últimos dias antes da votação de 4 de outubro, Boava mantém, portanto, duas cobranças direcionadas ao próprio partido: reivindica os recursos que afirma terem sido acertados anteriormente e, ao mesmo tempo, deixa claro que não pretende condicionar seu posicionamento político à liberação de novas verbas eleitorais.