José Marcos Marini contou que o acusado apontado como executor se aproximou da vítima dias antes do assassinato sob o pretexto de negociar uma fazenda
José Marcos Marini, amigo próximo do advogado Roberto Zampieri, afirmou ao Tribunal do Júri que, logo após os disparos que mataram o jurista, chegou a pensar em perseguir o responsável pelo crime. No entanto, decidiu abandonar a ideia para tentar ajudar a vítima. O depoimento foi prestado durante o julgamento dos réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e do coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusados de participação no planejamento e na execução do homicídio.
Ao prestar esclarecimentos aos jurados, Marini contou que mantinha uma amizade de anos com Zampieri e que ambos também tinham relações comerciais ligadas à compra, venda e negociação de propriedades rurais em Mato Grosso. Segundo ele, por causa dessas atividades, conhecia Antônio Gomes antes mesmo do assassinato.
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A testemunha explicou que Antônio chegou a procurar o advogado em mais de uma oportunidade alegando interesse na aquisição de uma fazenda. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, entretanto, a negociação nunca teve o objetivo de ser concretizada. A acusação sustenta que a proposta serviria apenas para atrair Zampieri até um local afastado, onde ele seria executado. Como o advogado não compareceu ao encontro, o plano precisou ser alterado.
Marini também descreveu o que presenciou na noite de 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ele disse que estava do lado oposto da avenida quando ouviu a sequência de disparos e viu um homem deixando rapidamente a cena do crime. Apesar de ter pensado em ir atrás dele, avaliou que seria mais importante permanecer no local para tentar socorrer o amigo.
"Eu estava no local no momento do fato e fui o primeiro a abrir a porta do carro. Até tive a intenção de ir atrás de quem atirou, mas não tinha condição e não era uma boa ideia. Eu visualizei, mas como era noite e ele estava de boné e roupa preta, não deu pra ver direito", afirmou durante o julgamento.
Segundo a testemunha, as condições de visibilidade dificultaram qualquer identificação. Ele relatou que o suspeito vestia roupas escuras e utilizava boné, o que, somado ao horário noturno, impediu que observasse detalhes do rosto.
De acordo com a investigação, Roberto Zampieri havia acabado de sair do escritório e entrado em seu veículo quando foi surpreendido pelo executor. O criminoso efetuou aproximadamente dez disparos com uma pistola calibre 9 milímetros e fugiu a pé logo após a execução. Imagens captadas por câmeras de segurança registraram a ação e mostram que o atirador utilizava uma caixa para tentar reduzir o estampido dos tiros durante o ataque.
O assassinato do advogado acabou dando origem a outras investigações conduzidas pelas autoridades. A perícia realizada no telefone celular de Zampieri revelou indícios de um suposto esquema de negociação de decisões judiciais envolvendo um lobista e magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Apesar disso, os investigadores destacam que, até o momento, não há elementos que apontem ligação entre esse esquema e a motivação do homicídio.