Prefeito fez gesto simulando arma ao comentar mudança de lado do suplente na disputa pela Mesa
A mudança de lado do suplente Antônio Lemes (PSD) na disputa pelo comando da Câmara de Cuiabá provocou uma reação irônica do prefeito Abilio Brunini (PL) nesta quarta-feira (30). Ao comentar a decisão do parlamentar de abandonar o bloco de Dilemário Alencar (União) para apoiar Ilde Taques (Podemos), Abilio fez um gesto simulando uma arma apontada para a cabeça enquanto mencionava a “consciência” que teria levado Lemes a rever o posicionamento.
A provocação ocorreu em meio às sucessivas articulações para a eleição da Mesa Diretora, marcada para 6 de outubro. Com a adesão de Lemes, o grupo de Ilde afirma ter alcançado 15 votos, dois a mais que os 13 reunidos anteriormente pelo bloco que tentava viabilizar Dilemário.
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A movimentação chamou atenção porque, poucas horas antes de anunciar apoio a Ilde, Lemes havia aparecido em uma fotografia ao lado da atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL), de Dilemário e de outros integrantes do grupo adversário.
Ao falar sobre o episódio, Abilio recordou declarações anteriores do suplente sobre pressões sofridas durante as articulações.
“Pelo que eu pude acompanhar no dia de ontem, o Lemes falou que tinha sido ameaçado pelo, acho que o vereador Jeferson, alguma coisa assim, não sei se foi o Jeferson mesmo, mas ele parece que tinha sido ameaçado, que estava sendo pressionado, temia até pela própria vida”, afirmou.
Jeferson Siqueira (PSD) é o titular da cadeira atualmente ocupada por Lemes e está licenciado por 120 dias para tratar de assuntos particulares. Ele já havia declarado apoio à candidatura de Ilde.
Depois de deixar o grupo de Dilemário, Lemes justificou publicamente sua nova posição mencionando um compromisso anterior e a própria consciência. Foi justamente essa explicação que motivou a ironia do prefeito.
“Eu acabei de assistir um vídeo, parece que ele falou que mudou de opinião, porque a consciência dele acusou e tal. Aí eu entendo, o cara que estava muito preocupado, pressionado, quando aperta a consciência, ele deve ter mudado uma posição sobre isso”, declarou Abilio.
Enquanto pronunciava a frase, o prefeito fez o gesto com a mão em direção à cabeça. Abilio, porém, não apresentou provas de que a decisão de Lemes tenha ocorrido em razão de ameaça ou coação.
Com a alteração na composição dos grupos, o prefeito avaliou que as negociações dificilmente provocarão uma nova mudança no cenário antes da votação.
“Eu não acho que haja jogo nenhum, não. Acho que já há uma definição do que é a mesa, eu acredito que é guardar o dia da votação e pronto”, disse.
Apesar da avaliação de Abilio, a Presidência da Câmara somente será definida formalmente com os votos dos vereadores na eleição de 6 de outubro.
O prefeito também evitou orientar Paula, Dilemário e os demais integrantes do grupo adversário sobre o que fazer após perderem o apoio de Lemes. Segundo ele, a decisão sobre continuar ou não as articulações cabe aos próprios parlamentares.
“Olha, eu não sei qual é o melhor caminho, cabe a eles aí decidir qual é o melhor caminho que eles vão tomar. Enquanto tiver esses tipos de convencimento e esse tipo de consciência, o caminho deve ser bem refletido para ver qual é o caminho mais prudente, mais adequado a se tomar”, afirmou.
Abilio tem sustentado publicamente que não pretende comandar as articulações para definir a próxima Mesa Diretora. Mesmo assim, a movimentação dos vereadores passou a ser acompanhada de perto pelo Executivo diante das mudanças ocorridas nos últimos dias.
Com Lemes no grupo de Ilde, a candidatura do Podemos chega à reta final das articulações declarando apoio de 15 dos 27 integrantes da Câmara. A maioria absoluta é formada por 14 vereadores. Ainda assim, o resultado dependerá dos votos efetivamente registrados na eleição.