"FAZ O L"

Abilio cita "fila dos ossinhos" e responsabiliza cenário econômico por avanço da pobreza

· 2 min de leitura
Abilio cita "fila dos ossinhos" e responsabiliza cenário econômico por avanço da pobreza
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini - Foto: Karine Arruda

Prefeito afirmou que o aumento da vulnerabilidade social é reflexo da economia nacional e disse que programas sociais já não conseguem conter o avanço da pobreza

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), disse na última terça-feira (29) que o crescimento da população em situação de vulnerabilidade social e o surgimento de novos bolsões de miséria na Capital ao cenário econômico nacional. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pelas famílias são consequência da política econômica adotada durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração foi feita após o prefeito ser questionado sobre apontamentos apresentados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) relacionados a problemas sociais e à presença de bolsões de lixo em diferentes regiões da cidade.

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Ao comentar o tema, Abilio ironizou as críticas direcionadas à administração municipal e relacionou o aumento da pobreza às condições econômicas do país.

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"A resposta é 'faz o L', né? Mas eu não posso fazer essa resposta. Por que está virando bolsões de miséria? Porque a população está passando dificuldade. O Brasil nunca teve uma situação como está passando hoje. Se você for lá na fila dos ossinhos, está lá, aumentando", afirmou.

A chamada "fila dos ossinhos" ficou conhecida nacionalmente em julho de 2021, quando centenas de pessoas enfrentaram longas filas em um açougue no bairro CPA II, em Cuiabá, para receber retalhos de ossos com pequenas porções de carne. As imagens ganharam repercussão em todo o país e se tornaram um símbolo do agravamento da insegurança alimentar durante a pandemia e do aumento do custo de vida.

Na avaliação do prefeito, nem mesmo os programas federais de assistência social têm sido suficientes para conter o avanço da pobreza. Segundo ele, o número de pessoas que enfrentam dificuldades para garantir o sustento da família continua aumentando nos bairros da Capital.

"Se você for nos bairros da nossa cidade, está aumentando as pessoas em condições de vulnerabilidade que, por muitas das vezes, não estão mais conseguindo se manter e nem mesmo programas sociais, como Bolsa Família, conseguem ajudar essa pessoa a ter uma sobrevivência", declarou.

As declarações ocorrem em um momento em que o custo dos alimentos segue pressionando o orçamento das famílias cuiabanas. Apesar de levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) registrar queda de 2,04% no preço da cesta básica na quarta semana de julho, impulsionada principalmente pela redução nos valores da batata e do tomate, o custo médio dos produtos essenciais permanece elevado.

Conforme o levantamento, a cesta básica foi cotada em R$ 848,96, valor 4,27% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o conjunto de alimentos custava R$ 814,16. Os dados indicam que as reduções pontuais observadas nas últimas semanas ainda não foram suficientes para compensar a alta acumulada dos preços.

Ao abordar a questão dos bolsões de lixo espalhados pela cidade, Abilio defendeu que a prioridade da administração deve ser a responsabilização de quem realiza o descarte irregular de resíduos, descartando a possibilidade de criar incentivos financeiros para estimular denúncias.

"Nós não podemos criar recompensa toda hora para alguém que é bom cidadão. Nós temos que criar punição para quem não é um bom cidadão. A pessoa não jogar o lixo num lugar de bolsão, a recompensa é: esse é o seu dever, parabéns cidadão. O maior prêmio é a consciência de que ela está fazendo a coisa certa", afirmou.