CASO CIRO NOGUEIRA E VORCARO

'Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?': PF aponta pagamento de 'mesada'

Por Andréia Sadi, do g1
· 2 min de leitura
'Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?': PF aponta pagamento de 'mesada'

Investigações da Polícia Federal revelam que o senador Ciro Nogueira (PP) recebia pagamentos mensais recorrentes e teria instrumentalizado o mandato para apresentar emendas redigidas pelo próprio Banco Master.

O Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão assinada pelo ministro André Mendonça, determinou suspensão de empresas e monitoramento de envolvidos no caso, no âmbito da Operação Compliance Zero. Nesta 5ª fase, a operação mira Ciro Nogueira, alvo de busca e apreensão, e um primo de Daniel Vorcaro, Felipe Vorcaro, que foi preso.

A PF investiga, na Operação Compliance Zero, um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

As provas surgiram a partir de diálogos interceptados entre Daniel Vorcaro e seu operador financeiro, Felipe Vorcaro. As mensagens detalham o funcionamento da chamada "parceria BRGD/CNLF", na qual a empresa BRGD S.A. (da família Vorcaro) enviava recursos para a CNLF Empreendimentos (veículo patrimonial do senador).

Em janeiro de 2025, Felipe Vorcaro relatou dificuldades em manter o fluxo devido ao "aumento dos pagamentos" ao "parceiro brgd".

Meses depois, em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o operador pelo atraso de dois meses nos repasses a "ciro". Em resposta, Felipe questionou: "Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?", evidenciando que o valor mensal do repasse havia aumentado.

A contrapartida para os pagamentos milionários era a instrumentalização do mandato parlamentar. O caso envolve a emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024. A proposta visava elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

A investigação revelou que o texto da emenda foi elaborado pela própria assessoria do Banco Master e entregue em um envelope na residência do senador. Após a apresentação, Daniel Vorcaro vangloriou-se de que a proposta "saiu exatamente como mandei", enquanto interlocutores do banco previam que a medida "sextuplicaria" os negócios da instituição.

Além dos repasses mensais, Ciro Nogueira teria recebido vantagens por meio de operações societárias fraudulentas.

A empresa CNLF, administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto, adquiriu 30% da Green Investimentos S.A. pelo valor de R$ 1 milhão.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que ele está comprometido "em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados". O g1 procurou as defesas dos demais alvos, mas ainda não obteve resposta.