MENSAGENS REVELADORAS

“Um por um”: mensagens de missionárias expõem supostos encontros com presos na PCE

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“Um por um”: mensagens de missionárias expõem supostos encontros com presos na PCE
Foto: Reprodução / FolhaMax

Segundo o inquérito, visitas que deveriam ser destinadas à atividade religiosa teriam evoluído para relacionamentos com detentos

Mensagens trocadas por integrantes de um grupo de missionárias que atuava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, passaram a integrar as provas reunidas pela Polícia Civil na Operação Fariseus. Segundo o inquérito, os diálogos levantaram suspeitas de que algumas visitas à unidade prisional teriam ultrapassado as atividades religiosas e envolvido relacionamentos íntimos com detentos ligados a uma facção criminosa.

O grupo, conhecido como “Faixas Rosa”, participava do projeto religioso “Resgatando Vidas”. A líder, Rhavenna Barcelos de Almeida, foi presa durante a operação sob suspeita de utilizar a atuação no projeto para auxiliar integrantes da organização criminosa em questões relacionadas a comunicação, logística e recursos financeiros.

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De acordo com os investigadores, conversas mantidas em um grupo de WhatsApp revelaram comentários sobre visitas realizadas na PCE, além de referências a presos, contatos e supostos relacionamentos mantidos pelas integrantes.

Em um dos diálogos analisados, uma das mulheres teria relatado que pretendia visitar diferentes detentos em dias de visita consecutivos. Segundo a interpretação da investigação, a estratégia teria como objetivo evitar desentendimentos entre os presos com quem mantinha contato.

Outras mensagens também foram interpretadas pela Polícia Civil como indícios de relações de natureza íntima. Em uma conversa ocorrida após uma visita à penitenciária, uma integrante teria feito comentário de conotação sexual envolvendo a experiência de outra colega dentro da unidade.

Os investigadores também encontraram diálogos nos quais as mulheres mencionavam detentos por apelidos. Entre os nomes citados nas conversas aparecem pessoas apontadas pela investigação como integrantes da estrutura de uma facção criminosa, entre elas Sandro Louco, Paulo Wita, Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como Batman, e Leonardo de Jesus, o Buchudo.

Em outra troca de mensagens, as integrantes teriam discutido quais presos seriam visitados e feito comentários sobre determinados detentos. A Polícia Civil também identificou uma anotação atribuída a uma das participantes, contendo uma espécie de lista relacionada a pessoas da PCE.

Segundo o inquérito, parte das conversas indicaria que os contatos mantidos pelas missionárias poderiam ter ultrapassado os limites das atividades desenvolvidas dentro do projeto religioso. A investigação também aponta que algumas integrantes teriam mantido contato com pessoas ligadas à facção em outras ocasiões, inclusive fora de Mato Grosso.

Além de Rhavenna, outras mulheres aparecem no inquérito, entre elas Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Laís Barbosa Lopes e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, irmã da líder do grupo.

Wiara, Karolina, Jéssi e Laís foram indiciadas por falso testemunho, conforme consta na investigação. As acusações relacionadas aos supostos relacionamentos e à atuação do grupo ainda serão analisadas pelas autoridades responsáveis pelo caso e pela Justiça.

A Operação Fariseus apura a possível utilização do projeto religioso como meio de aproximação e auxílio a integrantes de uma organização criminosa dentro e fora do sistema prisional.