Secretário de Assuntos Legislativos afirma que disputa pela presidência provocou ambiente de desunião no município
O suplente de vereador por Várzea Grande e atual secretário de Assuntos Legislativos da Câmara Municipal, Samir Katumata (PL), levantou a possibilidade de perseguição política após ser alvo da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta terça-feira (20). Questionado se a situação poderia estar relacionada à oposição de integrantes do Legislativo à prefeita Flávia Moretti (PL), ele não descartou a hipótese, mas reconheceu não possuir elementos para apontar responsáveis.
"Eu acredito, no fundo do meu coração", respondeu ao ser questionado sobre uma possível perseguição. Ao ser perguntado se a situação poderia partir da prefeita, afirmou: "Pode ser, pode ser".
Apesar da declaração, Samir ressaltou que não tem condições de atribuir a suposta perseguição a qualquer pessoa. A hipótese levantada pelo suplente não foi acompanhada de provas ou informações que estabeleçam participação da chefe do Executivo municipal na investigação.
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A operação apura possíveis crimes de corrupção, extorsão, ameaças, chantagem e cárcere privado relacionados à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, que reconduziu Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Casa. A votação foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Samir afirmou que a disputa pelo comando do Legislativo já vinha provocando embates judiciais e que havia expectativa de novos desdobramentos diante do impasse envolvendo a eleição.
Segundo ele, apesar da investigação, a votação ocorreu de maneira democrática, e a definição sobre a validade do processo cabe à Justiça.
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"Estou muito tranquilo, de verdade, estou com o coração tranquilo. Quem não deve não teme. Essa eleição foi uma eleição democrática, e a gente está aguardando na Justiça", declarou.
O suplente também afirmou que sua atuação como secretário de Assuntos Legislativos não se restringe a determinado grupo político e que presta atendimento aos vereadores independentemente de suas posições na disputa interna.
Durante a entrevista, Samir explicou que compareceu à sede do Gaeco para tentar recuperar pertences de sua esposa, Márcia, recolhidos durante o cumprimento dos mandados.
De acordo com o suplente, os agentes apreenderam seu telefone celular, além de um aparelho e outros objetos pessoais pertencentes à esposa, que, segundo ele, não possui qualquer ligação com os fatos investigados.
"Minha esposa não tem nada a ver com a operação. O próprio agente policial falou que, se eu quisesse, poderia acompanhar para tentar retirar esses bens que estavam levando", relatou.
Samir afirmou que sua principal preocupação naquele momento era conseguir a devolução dos objetos pessoais da mulher.
O secretário legislativo também demonstrou estranheza com a inclusão de vereadores de Cuiabá na investigação sobre a eleição da Câmara de Várzea Grande.
Entre os alvos estão Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, que participaram de uma confraternização realizada antes da votação da Mesa Diretora.
"Isso causa muita estranheza, o pessoal de Cuiabá, porque eles não são da Mesa de Várzea Grande. Eu não entendi exatamente por que foram relacionados os vereadores de Cuiabá", afirmou.
Questionado sobre informações de que teria ocorrido pagamento de valores durante o encontro, Samir declarou desconhecer qualquer negociação dessa natureza.
"Eu não sei disso aí. Não fiz parte de nada de pagamento de nada", respondeu.
O suplente também contestou a suspeita de cárcere privado, um dos crimes investigados pelo Gaeco, argumentando que a participação em encontros políticos ocorre por decisão dos próprios envolvidos.
"Eu acho que hoje, no século XXI, ninguém vai para lugar nenhum obrigado a nada. Ninguém vai amarrado, vai quem quer", declarou.
Ao comentar o cenário político de Várzea Grande, Samir avaliou que a disputa pela Mesa Diretora aprofundou as divergências entre grupos políticos e contribuiu para um ambiente de tensão no município.
"O momento político de Várzea Grande está muito delicado. A gente sabe o quanto essa desunião, esse imbróglio de ânimos lá dentro está muito pesado", afirmou.
Por fim, o suplente defendeu que as investigações esclareçam os fatos e que eventuais responsabilidades sejam apuradas.
"Justiça vai ser feita. Quem errou vai pagar. Se tiver alguma coisa de errado nisso tudo, com certeza alguém vai pagar por isso", concluiu.