"POUCO IMPORTA"

Promotor reage a ataques contra Zampieri e diz que vítima não está em julgamento

· 2 min de leitura
Promotor reage a ataques contra Zampieri e diz que vítima não está em julgamento
O promotor de Justiça Vinícius Gahyva - Foto: Reprodução/Rodrigo Moura / TJMT

Vinícius Gahyva afirma que jurados devem analisar participação dos acusados, e não a conduta da vítima

O segundo dia do julgamento dos acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri começou, nesta quarta-feira (30), com uma reação do Ministério Público à linha adotada pelas defesas no Tribunal do Júri. O promotor Vinícius Gahyva contestou os argumentos que colocam a trajetória e a conduta da vítima no centro dos debates e afirmou que são os réus e as acusações atribuídas a eles que devem ser analisados pelos jurados.

Antes da retomada da sessão no Fórum de Cuiabá, Gahyva falou com a imprensa e questionou a pertinência de discutir o perfil de Zampieri quando parte das teses defensivas busca afastar a participação dos acusados no assassinato.

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“A figura da vítima pouco importa para o desenvolvimento de uma tese. Se a pessoa nega autoria, e nega envolvimento no crime, o que importa se a vítima era daquele jeito ou desse jeito? Não faz diferença alguma”, afirmou.

Na avaliação do representante do Ministério Público, questionamentos sobre a imagem do advogado não respondem à principal discussão levada ao Conselho de Sentença: se os homens colocados no banco dos réus tiveram ou não participação no homicídio.

Gahyva também endureceu as críticas ao que considera uma tentativa de desqualificação da vítima ao longo dos debates.

“Justificar esse tipo de situação atacando a figura da vítima nada mais é que uma retórica que se coloca a serviço da injustiça, da impunidade e daquilo que a sociedade não deseja”, declarou.

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Vídeo: RepórterMT

A manifestação ocorre após um primeiro dia de julgamento marcado pela apresentação e discussão de elementos reunidos durante a apuração do assassinato. Testemunhas foram ouvidas tanto pela acusação quanto pelas defesas, que confrontam versões sobre a participação atribuída a cada réu.

Entre os depoimentos apresentados aos jurados esteve o do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Segundo ele, a investigação reuniu dados obtidos de aparelhos celulares, registros de ligações e trocas de mensagens que, na interpretação dos investigadores, ajudam a estabelecer vínculos entre os acusados e o crime.

Três homens estão sendo julgados. Antônio Gomes da Silva é apontado pela acusação como responsável pelos disparos que mataram o advogado. Hedilerson Fialho Martins Barbosa é acusado de participação na intermediação e na estrutura necessária para a execução do crime. Já Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é apontado pelo Ministério Público como integrante da articulação e do financiamento do homicídio.

As responsabilidades atribuídas a cada um são contestadas pelas respectivas defesas e caberá aos jurados decidir sobre as acusações ao término do julgamento.

Roberto Zampieri foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. O advogado foi atingido por disparos de arma de fogo.

A tese apresentada pelo Ministério Público relaciona a execução a uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Mato Grosso. Ao longo do júri, acusação e defesa apresentam aos jurados suas interpretações sobre as provas produzidas durante a investigação e discutem o envolvimento atribuído aos três acusados.