FENÔMENO EL NIÑO

MT deve enfrentar temperaturas acima da média e chuvas irregulares nos próximos meses

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MT deve enfrentar temperaturas acima da média e chuvas irregulares nos próximos meses
Imagem: Reprodução/Internet


O fenômeno El Niño deve ganhar força nos próximos meses e já acende um sinal de alerta para os impactos climáticos em Mato Grosso. A principal preocupação é a combinação de calor mais intenso e queda no volume de chuvas, cenário que tende a se consolidar ao longo da primavera e do verão.

O meteorologista Guilherme Borges explica que, apesar de popularmente ser chamado de “Super El Niño”, essa classificação não existe tecnicamente. Segundo ele, o fenômeno é enquadrado oficialmente entre fraco, moderado, forte e muito forte, mas os indicativos atuais apontam para um evento mais intenso.

Ele afirma que o processo já está em andamento e deve ganhar mais força nos próximos meses. “O fenômeno já está em processo de estabilização e não há dúvida de que ele vai ocorrer. A tendência é que, nos próximos meses, ele se fortaleça e comece a impactar o clima do Brasil”, disse.

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Em Mato Grosso, o efeito mais direto deve ser sentido nas temperaturas acima da média e na irregularidade das chuvas. A atuação de massas de ar quente sobre a região central do país tende a ser reforçada pelo fenômeno. “A tendência é de temperaturas acima da média por vários meses e chuvas abaixo do normal, principalmente na primavera e no verão”, destacou o meteorologista.

Esse cenário também preocupa pelo aumento da baixa umidade do ar, ressecamento do solo e maior risco de queimadas, especialmente em períodos mais prolongados de estiagem. De acordo com o especialista, embora todo o estado deva ser impactado, a região oeste tende a sentir os efeitos de forma mais intensa.

Na prática, a população deve enfrentar uma sequência de dias quentes e secos, com reflexos diretos na qualidade do ar e na saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. “Essa sequência de dias secos e quentes afeta a qualidade do ar, aumenta problemas respiratórios e pode favorecer a proliferação de doenças”, alertou.

O setor agrícola também aparece entre os mais vulneráveis, já que depende diretamente da regularidade das chuvas. O abastecimento de água é outro ponto de atenção diante do cenário previsto. Os modelos climáticos indicam que o fenômeno pode atingir seu pico entre dezembro e fevereiro, com intensidade variando de forte a muito forte. Os primeiros reflexos mais consistentes, no entanto, devem começar a ser percebidos já a partir de agosto, quando a atmosfera tende a responder de forma mais clara ao sistema climático.