Eustáquio Neto afirma que Legislativo não recebeu notificações e aguarda informações oficiais sobre os vereadores citados
O procurador-geral da Câmara Municipal de Cuiabá, Eustáquio Neto, afirmou nesta terça-feira (20) que a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), não interfere na eleição da Mesa Diretora do Legislativo cuiabano.
A declaração ocorre após dois vereadores da capital, Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, serem alvos de mandados de busca e apreensão relacionados à investigação sobre supostas irregularidades na eleição da presidência da Câmara de Várzea Grande.
Em entrevista à imprensa, Eustáquio explicou que o procedimento conduzido pelo Gaeco está restrito, até o momento, à disputa pelo comando do Legislativo várzea-grandense. Por isso, segundo ele, não há elementos que justifiquem questionamentos sobre a eleição que definiu Ilde Taques como futuro presidente da Câmara de Cuiabá.
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"É necessário que se esclareça que o que está sendo investigado atualmente é uma suposta ilegalidade na eleição da Mesa de Várzea Grande. Então, para o momento, certamente isso não interfere em nada na eleição realizada aqui na Câmara Municipal de Cuiabá", afirmou.
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O procurador ressaltou que, embora dois parlamentares cuiabanos tenham sido incluídos entre os alvos da operação, a instituição não recebeu qualquer determinação judicial para o cumprimento de diligências em suas dependências.
Segundo Eustáquio, nenhuma busca e apreensão foi realizada na sede do Legislativo municipal, que segue funcionando normalmente.
"A operação deflagrada hoje de manhã, diretamente, não tem absolutamente nada a ver com a Câmara Municipal de Cuiabá. A Câmara continua com seus trabalhos normalmente e espera o desenrolar das investigações, espera que tudo seja esclarecido", declarou.
Questionado sobre a possibilidade de abertura de procedimento interno contra Ilde Taques e Alex Rodrigues, o procurador-geral afirmou que, neste momento, não há previsão de medidas administrativas contra os vereadores.
Ele explicou que a Câmara ainda não foi formalmente comunicada sobre qualquer fato que exija providências institucionais e que eventuais decisões dependerão de informações concretas apresentadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
"A princípio, como nós não recebemos nenhuma notificação para o cumprimento de qualquer diligência, no momento vamos apenas aguardar. Posteriormente, se sobrevierem informações concretas, aí sim, com certeza, a Câmara tomará as medidas necessárias", pontuou.
Eustáquio também foi questionado sobre a possibilidade de a investigação alcançar a eleição da Mesa Diretora de Cuiabá. Segundo ele, caso surjam elementos que indiquem alguma relação entre os fatos apurados em Várzea Grande e a escolha da presidência do Legislativo da capital, a instituição poderá avaliar as providências cabíveis.
"Como tudo é muito recente, a postura da Câmara Municipal é aguardar o desenrolar das investigações, acompanhar e prestar as informações que forem solicitadas", explicou.
O procurador reiterou que, até o momento, não existem informações oficiais indicando que a eleição da Mesa Diretora de Cuiabá esteja sob investigação.
A Operação Cathedra Venalis apura suspeitas de corrupção, extorsão, ameaças, chantagem e cárcere privado relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, realizada em maio deste ano.
A votação reconduziu Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Casa por 12 votos a 11, mas o resultado acabou anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os vereadores cuiabanos Ilde Taques e Alex Rodrigues foram alvos de mandados após participarem de uma confraternização realizada às vésperas da eleição investigada.
A apuração tramita sob sigilo e, até o momento, não foram divulgadas conclusões sobre eventual responsabilidade individual dos parlamentares.