Gestão de Cuiabá rebate acusações do ex-secretário, afirma que aplicou 26,1% na área e garante que despesas estavam registradas dentro da legalidade
A crise envolvendo a Educação de Cuiabá ganhou um novo capítulo após a Prefeitura rebater publicamente as declarações do ex-secretário Amauri Monge e negar qualquer irregularidade nas contas da pasta. Em meio à troca de acusações, a gestão municipal afirma que cumpriu e até superou o percentual mínimo exigido pela Constituição Federal para investimentos em Educação, enquanto tenta afastar suspeitas de problemas fiscais levantadas pelo ex-gestor.
Segundo o secretário de Economia, Marcelo Bussiki, o município aplicou 26,1% da receita vinculada à Educação durante o exercício de 2025, índice superior aos 25% obrigatórios por lei. A administração também afirma que já desembolsou R$ 36,5 milhões neste ano para quitar despesas pendentes registradas como restos a pagar.
Os números já haviam sido apresentados oficialmente à Comissão de Educação da Câmara Municipal durante uma reunião realizada neste ano. Na ocasião, o secretário Marcelo Bussiki e o contador-geral do Município, Éder Galiciani, detalharam a execução orçamentária da Educação e explicaram como os recursos foram aplicados pela gestão ao longo do exercício financeiro.
A manifestação ocorre após Amauri Monge voltar a questionar os números apresentados pela atual gestão e sugerir a existência de problemas relacionados à execução orçamentária da Educação. As declarações aumentaram a tensão entre integrantes da própria administração municipal e ampliaram o embate político em torno das finanças da pasta.
Para se defender, a Prefeitura sustenta que os valores apontados pelo ex-secretário se referem a restos a pagar, mecanismo previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e amplamente utilizado na administração pública. Pela regra, despesas empenhadas dentro de um exercício financeiro podem ser quitadas no ano seguinte sem que isso configure irregularidade.
A gestão municipal também buscou diferenciar os restos a pagar do que é conhecido como pedalada fiscal. Segundo o Executivo, pedalada ocorre quando despesas deixam de ser registradas oficialmente para esconder a situação financeira do ente público. Já os restos a pagar permanecem contabilizados, reconhecidos e lançados nos sistemas oficiais até sua quitação.
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Outro ponto explorado pela Prefeitura foi o fato de o próprio Amauri Monge ter defendido anteriormente os números da Educação quando ainda ocupava o comando da secretaria. Em prestação de contas na Câmara Municipal, o então secretário afirmou que Cuiabá havia alcançado exatamente os mesmos 26,1% de aplicação na área e declarou que os restos a pagar estavam dentro da legalidade.
Nos bastidores, o confronto ocorre em um momento de forte desgaste político dentro da Educação municipal. Nos últimos dias, Abilio Brunini também passou a divulgar auditorias e investigações envolvendo contratos firmados durante a passagem de Amauri Monge pela pasta, incluindo suspeitas relacionadas à compra de materiais didáticos e à execução de despesas milionárias.
Enquanto a troca de acusações se intensifica, a Prefeitura tenta sustentar o discurso de regularidade fiscal e transparência. A administração afirma que todos os dados seguem disponíveis para análise dos órgãos de controle, da Câmara Municipal e da sociedade, reforçando que não houve ocultação de despesas nem descumprimento das exigências constitucionais para investimentos na Educação.