Casal é investigado por divulgação de jogos ilegais; Justiça autorizou 19 medidas contra o esquema suspeito
A movimentação de mais de R$ 102 milhões por uma empresa associada à divulgação de apostas pela internet levou a Polícia Civil de Mato Grosso a investigar a influenciadora digital Fernanda Matos, de Várzea Grande, e o marido. O casal está entre os alvos da Operação Aposta Final, deflagrada nesta quarta-feira (14), para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar sem autorização legal.
A ofensiva policial ocorre após a identificação de transações financeiras consideradas suspeitas e de um patrimônio que, segundo os investigadores, não condiz com os rendimentos lícitos declarados pelos envolvidos. Ao todo, foram expedidas 19 ordens judiciais, incluindo o bloqueio de até R$ 102,4 milhões, buscas em imóveis e apreensão de veículos.
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O trabalho investigativo começou em agosto de 2026, quando uma denúncia levou a Polícia Civil a apurar a possível ligação de uma facção criminosa com plataformas de apostas on-line. As diligências passaram a incluir o monitoramento de conteúdos publicados por Fernanda, que utilizava suas redes sociais para compartilhar links de acesso a jogos.
A partir dessas publicações, os policiais conseguiram identificar o caminho utilizado para receber os pagamentos dos apostadores. As transferências por Pix tinham como destino duas empresas que, conforme a investigação, não possuíam autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda para atuar nesse mercado.
O que chamou a atenção dos investigadores foi a quantidade de dinheiro que passou por uma dessas empresas em menos de 60 dias. Somente entre 14 de maio e 12 de julho deste ano, as entradas e saídas de recursos ultrapassaram R$ 102,4 milhões.
As análises apontaram um padrão de transações em que valores eram recebidos e, pouco depois, transferidos para outras contas. Essa dinâmica levantou suspeitas de que as empresas estariam sendo utilizadas para intermediar pagamentos relacionados aos jogos e, possivelmente, ocultar a origem ou o destino dos recursos.
Além das operações financeiras, os policiais passaram a examinar os bens e o padrão de consumo dos investigados. Nesse levantamento, foram identificados automóveis de alto valor, uma residência e gastos com viagens ao exterior. Para a Polícia Civil, os elementos indicam uma possível incompatibilidade entre o patrimônio e a renda declarada.
A investigação resultou em medidas judiciais que atingem tanto os recursos financeiros quanto as atividades comerciais ligadas aos envolvidos. Entre os bens que tiveram a apreensão autorizada estão duas Toyota Hilux, uma Volkswagen Saveiro e um Volkswagen Nivus GTS.
As buscas também alcançam endereços relacionados ao casal em Cuiabá e Várzea Grande. Os policiais foram autorizados a entrar em três imóveis, incluindo locais vinculados a um salão de beleza e a um açougue, para recolher materiais que possam contribuir com a apuração.
Outra frente da decisão judicial busca impedir que as plataformas investigadas continuem sendo promovidas na internet. Fernanda ficou proibida de utilizar ou abrir contas em redes sociais para divulgar apostas, enquanto as duas empresas envolvidas tiveram suas atividades econômicas e financeiras suspensas cautelarmente.
Também foram determinadas a exclusão de perfis, a restrição de acesso a um site utilizado na divulgação dos jogos e a quebra de sigilo de dados telemáticos.
As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, Polo Cuiabá, após representação da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).
Com os materiais recolhidos durante a operação, a Polícia Civil pretende aprofundar o rastreamento do dinheiro e descobrir quem administrava a plataforma de apostas, além de verificar a eventual participação de outras pessoas no esquema investigado.
O inquérito segue em andamento, e as suspeitas ainda dependem de conclusão das investigações.