OPERAÇÃO JANUS

Polícia investiga núcleo de facção que movimentava dinheiro por meio de cestas básicas

· 2 min de leitura
Polícia investiga núcleo de facção que movimentava dinheiro por meio de cestas básicas
Foto: Reprodução / PJC-MT

Onze mandados de busca são cumpridos em Mato Grosso e Goiás contra investigados por lavagem e organização criminosa

A Polícia Civil de Mato Grosso investiga um esquema que teria utilizado empresas do ramo de alimentos e a distribuição de cestas básicas para dar aparência legal a dinheiro proveniente de atividades criminosas. Uma das empresas analisadas, instalada em Várzea Grande, movimentou R$ 13,2 milhões em quatro anos, apesar de, segundo os investigadores, não possuir estrutura física compatível com a atividade declarada.

As suspeitas deram origem à Operação Janus, deflagrada nesta quarta-feira (23) pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

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Ao todo, são cumpridas 14 determinações judiciais, entre elas 11 mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro de bens móveis e imóveis. Os alvos são investigados por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As diligências ocorrem em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, além de Goiânia (GO). As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá.

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Vídeo: PJC

A investigação começou a partir da análise de materiais recolhidos em trabalhos anteriores da GCCO/Draco. A partir desses elementos, os policiais identificaram suspeitos que fariam parte de uma facção criminosa, incluindo pessoas que continuariam participando da articulação do grupo mesmo estando presas.

Segundo a Polícia Civil, empresas formalmente abertas para comercializar alimentos e cestas básicas teriam sido incorporadas à estrutura financeira do grupo. A suspeita é que valores provenientes principalmente do tráfico de drogas e de golpes virtuais fossem inseridos em transações comerciais simuladas para dificultar a identificação da origem do dinheiro.

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Parte das cestas adquiridas seria posteriormente distribuída a integrantes e simpatizantes da facção. Para os investigadores, além da possível lavagem dos recursos, o chamado assistencialismo seria utilizado como instrumento para ampliar a influência territorial do grupo.

As funções, conforme a apuração, eram divididas. Alguns investigados seriam responsáveis pela obtenção e movimentação do dinheiro, enquanto outros cuidariam da compra dos produtos e da distribuição dos alimentos.

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Um dos alvos é apontado pela investigação como responsável pela logística das cestas e pela utilização das entregas como mecanismo para fortalecer a presença da facção em determinadas regiões.

Além dos R$ 13,2 milhões atribuídos à movimentação de uma empresa de Várzea Grande, a análise patrimonial identificou cifras ainda maiores nas contas de pessoas investigadas.

Uma das suspeitas teria movimentado mais de R$ 36 milhões, enquanto outro alvo registrou transações superiores a R$ 4,7 milhões. De acordo com a Polícia Civil, os valores seriam incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados.

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Vídeo: PJC

As medidas desta quarta-feira também buscam atingir o patrimônio supostamente relacionado às atividades criminosas. Entre os bens alcançados pelas decisões judiciais estão um veículo e um imóvel localizado em Goiânia.

A Polícia Civil pretende interromper o fluxo de recursos que, segundo a investigação, financiava tanto as atividades ilícitas quanto a distribuição de alimentos vinculada ao grupo.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear o patrimônio relacionado ao esquema e reunir elementos para a conclusão do inquérito.

O nome Janus faz referência ao deus romano Jano, tradicionalmente representado com duas faces. Segundo a Polícia Civil, a escolha simboliza as duas características atribuídas ao esquema investigado: a aparência de assistência social por meio das cestas básicas e, paralelamente, a suposta utilização da estrutura para movimentar dinheiro de origem criminosa.