CASO LOURDES MARIA; VEJA O VÍDEO

Médico admite não ter registro de especialista e contesta responsabilidade por morte de jovem

· 3 min de leitura
Médico admite não ter registro de especialista e contesta responsabilidade por morte de jovem
Foto: Reprodução

Euler Preza afirmou que equipe tentou salvar a paciente após queda brusca de oxigenação

O médico Euler Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza se pronunciou publicamente neste domingo (25) sobre a morte de Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, durante uma cirurgia estética em Cuiabá. Além de contestar a possibilidade de erro médico, ele reconheceu não possuir Registro de Qualificação de Especialista (RQE), relatou agressões e afirmou que passou a receber ameaças contra ele e seus familiares.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o profissional disse que pretende demonstrar que sua atuação não foi responsável pela morte da paciente, ocorrida no Hospital Geral e Maternidade. A jovem realizava procedimentos de lipoaspiração e colocação de próteses mamárias quando sofreu uma intercorrência.

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“Eu quero provar para todos que não houve erro médico, que não houve culpabilidade do meu ato cirúrgico”, declarou.

Um dos pontos abordados pelo médico foi sua formação profissional. Ele confirmou que não possui RQE, registro que comprova o reconhecimento de uma especialidade médica perante o Conselho Regional de Medicina, e que também não passou por residência médica.

Preza explicou que sua formação complementar ocorreu por meio de pós-graduação. Na avaliação dele, a ausência do registro de especialista não pode ser apontada como causa da morte de Lourdes.

“Eu realmente não tenho RQE. A gente aguarda o laudo do IML e uma coisa que eu tenho certeza que não virá no laudo é que a causa mortis dessa paciente foi por conta da ausência do RQE”, afirmou.

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Vídeo: Reprodução / HNT

O profissional também defendeu sua habilitação para realizar cirurgias, argumentando que existem diferentes caminhos de formação na medicina.

“Eu não fiz residência médica, eu fiz pós-graduação, que é um dos muitos caminhos de formação do médico, mas não sou desabilitado a fazer qualquer tipo de cirurgia”, disse.

A pós-graduação, entretanto, não substitui automaticamente os requisitos para o reconhecimento formal de uma especialidade médica. A análise sobre a regularidade da atuação de Preza caberá aos órgãos responsáveis.

Ao reconstruir os acontecimentos dentro do centro cirúrgico, o médico afirmou que Lourdes já havia passado pela lipoaspiração do abdômen e das laterais do corpo, além da colocação de silicone nos seios. O procedimento também incluía intervenção estética na região dos glúteos.

Segundo ele, a equipe estava próxima de encerrar a cirurgia quando a anestesista percebeu uma alteração repentina na oxigenação da paciente.

Naquele momento, Lourdes estava deitada de barriga para baixo. Diante da queda na saturação de oxigênio, os profissionais interromperam o procedimento e tentaram restabelecer as condições de ventilação.

“Parei imediatamente o que eu estava fazendo. Quando a anestesista solicitou que virasse ela novamente com a barriga para cima, para que melhorasse a ventilação, eu mesmo a virei”, relatou.

Conforme a versão do médico, a situação evoluiu para uma parada cardiorrespiratória. Ele afirmou que a equipe iniciou os procedimentos de emergência e contou com o auxílio de outros profissionais do hospital.

Durante mais de duas horas, segundo Preza, foram realizadas manobras de reanimação, com uso de medicamentos e desfibrilador. Ele relatou que os sinais vitais da jovem chegaram a retornar em duas ocasiões, mas não foi possível mantê-la viva.

O médico classificou o ocorrido como uma fatalidade e afirmou que complicações graves podem acontecer durante procedimentos cirúrgicos. Essa avaliação, contudo, ainda não foi confirmada pela investigação.

Preza também explicou que permaneceu envolvido no atendimento emergencial e, por isso, não conseguiu conversar imediatamente com os familiares. Segundo ele, uma amiga da paciente estava no hospital, e a equipe pediu que o marido fosse chamado.

A repercussão da morte também foi abordada no pronunciamento. O médico confirmou ter sido agredido no hospital após o falecimento de Lourdes, mas afirmou que não pretende alimentar conflitos com os envolvidos.

Segundo ele, a reação ocorreu em um momento de sofrimento pela perda da jovem, circunstância que disse compreender.

Preza relatou ainda que recebeu mensagens com ameaças de morte pelo WhatsApp e pelas redes sociais. Conforme sua declaração, familiares também foram mencionados nas intimidações.

Ao falar sobre a relação que mantinha com Lourdes, afirmou que ela fazia parte de seu círculo de amizades e lamentou o desfecho do procedimento.

O médico também mencionou sua experiência profissional, alegando ter realizado mais de 2 mil cirurgias. Apesar da investigação em andamento e da repercussão do caso, declarou que pretende continuar exercendo suas atividades.

A morte de Lourdes é apurada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) também instaurou uma sindicância para analisar as circunstâncias do atendimento e possíveis questões relacionadas à conduta profissional.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) é aguardado para ajudar a esclarecer a causa da morte. A investigação deverá avaliar as informações prestadas pelo médico em conjunto com os demais elementos técnicos e testemunhais.

Até a conclusão das apurações, não há definição oficial sobre a existência de falha médica ou eventual responsabilidade pelo óbito.