Ex-governador encerra campanha defendendo reformas institucionais e prometendo atuação focada em entregas no Senado
O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes (União) afirmou que chega ao dia da eleição com a expectativa de que os resultados de sua passagem pelo Palácio Paiaguás sejam considerados pelo eleitor na hora do voto. Neste domingo (4), ao comparecer à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, ele também fez um balanço da campanha e defendeu mudanças profundas na legislação brasileira, incluindo a discussão de uma nova Constituinte.
Ao comentar os argumentos apresentados ao longo da disputa, o ex-chefe do Executivo estadual sustentou que o histórico de quem concorre a um cargo público deve servir como referência para que a população avalie aquilo que é prometido durante uma eleição.
Vídeo: Daniel Brustolon, do FTN Brasil
“Contratar alguém para a administração pública através do voto tem que levar em consideração alguns valores e algumas referências. Mostrar quem você é e o que você já fez é pressuposto básico para estabelecer uma conexão com o futuro. Falar que vai fazer, qualquer um fala”, afirmou.
Entre as realizações utilizadas para exemplificar esse discurso, citou o Hospital Central, cuja obra permaneceu interrompida durante 34 anos. Para ele, a retomada do projeto demonstra que problemas considerados de difícil solução podem ser enfrentados, postura que pretende levar a Brasília caso conquiste uma das vagas em disputa.
“Fizemos coisas que pareciam impossíveis de serem feitas em Mato Grosso. O Hospital Central que você citou era uma delas, afinal de contas ficou parado 34 anos. E, a partir dessa referência, nós dizemos: poderemos fazer em Brasília coisas que lá no Congresso Nacional parecem impossíveis de serem feitas”, declarou.
Sobre o período eleitoral, avaliou que a campanha transcorreu de maneira tranquila, apesar de episódios que classificou como excessos praticados por adversários. Parte das divergências acabou judicializada.
Ao citar uma ação apresentada pelo também candidato Pedro Taques, mostrou confiança de que o questionamento não terá resultado favorável ao adversário.
“Tirando alguns excessos cometidos por candidatos, que foram prontamente reprimidos pela Justiça Eleitoral, a campanha foi muito tranquila. Só existe agora uma única ação feita pelo Taques, mas é mais uma que ele vai perder de tantas que já perdeu”, disse.
As pesquisas eleitorais também foram relativizadas pelo ex-governador. Ele afirmou não demonstrar grande entusiasmo com os levantamentos e apontou erros registrados em eleições anteriores como motivo para acompanhar os números com cautela.
Além da disputa pelo Senado, o candidato aproveitou para apresentar algumas das pautas que pretende defender no Congresso. Uma das principais é uma revisão de marcos legais do país, diante do que considera um cenário de instabilidade institucional e insegurança jurídica.
Na avaliação do ex-governador, decisões conflitantes e embates envolvendo instituições brasileiras têm provocado insegurança e prejudicado a confiança no país. Ao abordar o assunto, fez críticas tanto ao Congresso Nacional quanto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós precisamos fazer uma revisão profunda, bastante profunda, em muitos marcos legais nesse país. O Brasil não aguenta mais, nós estamos à deriva. A todo momento é um show de horrores que vem de Brasília, do Congresso Nacional, do Supremo, decisões contraditórias, que deixam o país chocado”, afirmou.
A proposta defendida por ele passa, inclusive, pela discussão de uma nova Constituinte. O argumento também está relacionado à situação fiscal do governo federal. Segundo o candidato, o crescimento do endividamento e o pagamento de juros representam riscos para a economia brasileira.
“O Brasil não aguenta mais, estamos à deriva com decisões contraditórias que tiram a confiança de investidores. Defendo uma nova Constituinte. Se não formos capazes de enxergar o óbvio, o Brasil vai quebrar como a Argentina, porque o governo central está endividado e tomando dinheiro emprestado para pagar juros”, declarou.
Caso seja eleito, afirmou que pretende adotar no Senado um perfil voltado à execução de propostas e à busca por resultados, evitando uma atuação baseada apenas em discursos.
“Eu odeio muita conversa afiada, muito blá-blá-blá, e nada de resultado”, resumiu.
Apesar de projetar como pretende atuar em Brasília, evitou antecipar articulações políticas antes da conclusão da votação. Ao avaliar o caminho percorrido até este domingo, afirmou estar satisfeito com a campanha e disse considerar encerrada uma etapa de sua trajetória política.
“Estou bastante contente e com o sentimento de dever cumprido. Fechamos um ciclo e, se eu for eleito, abriremos outro no Legislativo, focado em resultados e sem ‘conversa afiada’”, concluiu.
Vídeo: Daniel Brustolon, do FTN Brasil