Júri popular desclassificou acusação de dolo eventual para culpa consciente; bióloga recebeu pena de seis anos em regime semiaberto e seguirá com CNH suspensa
O Tribunal do Júri condenou, na noite desta terça-feira (23), a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro a seis anos de prisão em regime semiaberto pelo atropelamento que matou os estudantes Myllena de Lacerda Inocêncio e Ramon Alcides Viveiros e deixou Hya Girotto Santos gravemente ferida, em Cuiabá. O caso ocorreu em dezembro de 2018, em frente à antiga boate Valley Pub, na Avenida Isaac Póvoas.
Presidido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da Capital, o julgamento começou pela manhã e se estendeu durante todo o dia. Na sentença, a magistrada também manteve a suspensão do direito de dirigir da condenada até o cumprimento integral da pena.
Durante o julgamento, os jurados não reconheceram a tese de dolo eventual sustentada pela acusação. Com isso, o caso foi desclassificado para crime culposo na direção de veículo automotor, entendimento que resultou na condenação da bióloga por causar as mortes e os ferimentos sem a intenção de produzir o resultado.
Ao prestar depoimento, Rafaela afirmou que sua vida foi destruída pela tragédia. Ela admitiu ter consumido cerveja antes de dirigir, mas alegou que passou mal porque estava há horas sem se alimentar.
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Já a acusação defendeu a responsabilização da motorista e destacou elementos como a alta velocidade e a ingestão de bebida alcoólica antes do acidente. Durante a sessão, o procurador de Justiça aposentado Mauro Viveiros, pai de Ramon, classificou o caso como “um dos mais pavorosos atropelamentos múltiplos” registrados em Mato Grosso.
O atropelamento aconteceu na madrugada de 23 de dezembro de 2018. Myllena morreu a caminho do hospital, enquanto Ramon não resistiu aos ferimentos horas depois. Hya Girotto sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes. Segundo as investigações, Rafaela apresentava sinais de embriaguez e se recusou a realizar o teste do bafômetro após o acidente.
O processo se arrastou por quase oito anos, passou por recursos em diferentes instâncias e chegou a ter uma absolvição anulada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que determinou a realização de um novo júri popular.