OPERAÇÃO SOB QUESTIONAMENTO

Júlio Campos questiona operação do Gaeco em VG e vê possível perseguição política

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Júlio Campos questiona operação do Gaeco em VG e vê possível perseguição política
Foto: Frame Vídeo

Deputado critica momento das buscas, questiona uso de drones e diz desconhecer provas de compra de votos

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) demonstrou desconfiança em relação à Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar possíveis irregularidades na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. O parlamentar classificou a ação como surpreendente, questionou os procedimentos adotados pelos investigadores e levantou a possibilidade de motivação política, embora tenha reconhecido que desconhece os elementos que fundamentaram as medidas.

Durante entrevista nesta quarta-feira (21), Júlio afirmou que recebeu com estranheza a notícia das buscas realizadas contra vereadores de Várzea Grande e de Cuiabá. A investigação apura suspeitas de crimes relacionados à eleição de maio, que garantiu a vitória de Wanderley Cerqueira (MDB) sobre Lucas Chapéu do Sol (PL) por uma diferença de apenas um voto.

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O resultado da votação foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e uma nova eleição deverá ser realizada para definir o comando do Legislativo municipal.

Para Júlio, a disputa acirrada demonstra a divisão política existente na Câmara, mas não seria suficiente, por si só, para comprovar as suspeitas investigadas.

"Não acredito muito nessa história, porque, se houve essa compra de voto, houve também uma disputa renhida. O Wanderley ganhou a eleição do Lucas por um voto", declarou.

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O deputado ressaltou que não conhece o conteúdo das denúncias apresentadas ao Gaeco e defendeu que os esclarecimentos sejam aguardados antes de qualquer conclusão.

Ao ser perguntado se considera a possibilidade de perseguição política, Júlio comparou a atuação dos órgãos de investigação com denúncias que, segundo ele, já foram apresentadas contra a administração da prefeita Flávia Moretti (PL).

"É meio estranho, porque há várias denúncias que já fizeram com relação à administração municipal da gestão da prefeita Flávia Moretti e nunca houve nenhum prosseguimento. Essa da Câmara Municipal também não sei se tem fundamento, não, mas é meio estranho", afirmou.

O parlamentar também questionou o intervalo entre a eleição, realizada em maio, e a deflagração da operação, em outubro.

Outro ponto levantado foi o suposto monitoramento de um encontro entre vereadores em uma propriedade rural. Júlio indagou se havia autorização judicial para a utilização de drones e argumentou que reuniões políticas entre parlamentares não representam, necessariamente, a prática de irregularidades.

"Mandar drone fiscalizar chácara dos outros, talvez sem ordem... Tinha ordem judicial para isso? Como é que a polícia vai fiscalizar com drone uma reunião, um congraçamento?", questionou.

Ele também avaliou que a presença de diversos vereadores no mesmo local não permitiria concluir que o encontro tivesse como objetivo negociar votos para a presidência da Câmara.

As declarações representam questionamentos do deputado. Não há, nas informações apresentadas, confirmação de que o monitoramento tenha ocorrido sem autorização judicial ou de que a investigação possua motivação política.

Júlio também comentou a inclusão dos vereadores Ilde Taques (Podemos) e Alex Rodrigues (Podemos), de Cuiabá, entre os alvos da operação.

Os dois participaram de um encontro em uma propriedade rural de Várzea Grande, realizado no período que antecedeu a eleição da Mesa Diretora. Após deixarem o local, foram abordados por policiais.

O deputado mencionou relatos sobre a existência de dinheiro durante a abordagem e uma possível justificativa relacionada ao pagamento de serviços em uma propriedade particular. Entretanto, não apresentou documentos ou informações que comprovassem essa versão.

Para Júlio, a presença dos parlamentares cuiabanos no encontro não significa, automaticamente, envolvimento nas irregularidades investigadas.

Apesar das críticas, o deputado afirmou que prefere aguardar o andamento das apurações e espera que a situação seja esclarecida sem prejuízos indevidos aos envolvidos.

"A polícia está investigando e só cabe a nós ver o que vai ocorrer daqui para frente", disse.

Durante a mesma entrevista, Júlio Campos também comentou a proposta de empréstimo encaminhada pelo governo Otaviano Pivetta (Republicanos) à Assembleia Legislativa para financiar projetos habitacionais em Mato Grosso.

O deputado avaliou que a autorização não deverá encontrar resistência significativa entre os parlamentares, considerando a finalidade social dos recursos e a capacidade financeira do Estado.

Segundo ele, o fim de uma cobrança tributária mencionada como "Pivetta 2" beneficiou produtores rurais, mas também teria reduzido recursos destinados à política habitacional. Júlio defendeu que o governo encontre alternativas para ampliar os investimentos na construção de moradias populares.

O parlamentar afirmou ainda que Mato Grosso possui condições de assumir novas operações de crédito, destacando a avaliação fiscal favorável do Estado perante o Tesouro Nacional.

A expectativa, segundo Júlio, é que a próxima etapa da política habitacional contemple famílias de baixa renda, com a construção de casas e loteamentos populares.

"Esperamos que, no ano que vem, a política habitacional seja melhor do que no governo passado. Dê prioridade para a construção de casas populares, loteamentos populares, para servir à população carente de Mato Grosso", afirmou.