Deputado afirma que eventual aposentadoria antecipada de conselheiro poderá abrir disputa por vaga destinada à ALMT
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) confirmou que existem conversas nos bastidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) sobre uma possível indicação dos deputados Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende, ambos do União Brasil, para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). A movimentação depende de uma eventual aposentadoria antecipada do conselheiro Valter Albano, cuja cadeira pertence à cota de indicação do Legislativo.
Em entrevista, Júlio explicou que as discussões começaram após as eleições, quando surgiram informações sobre um suposto desentendimento interno entre o presidente do TCE, Sérgio Ricardo, e o conselheiro. Segundo ele, a possibilidade de abertura da vaga despertou o interesse de parlamentares que estão entre os mais antigos da Assembleia.
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“O que ocorreu é o seguinte: logo após a eleição, feito o resultado, o deputado Dilmar Dal Bosco e o deputado Sebastião Rezende, que são os dois mais antigos parlamentares desta Casa, souberam que havia um certo desentendimento interno lá no Tribunal de Contas”, relatou.
Júlio lembrou que a cadeira atualmente ocupada pelo conselheiro já pertenceu a ele. O parlamentar deixou o Tribunal de Contas em 2018, quando foi substituído na função. Por se tratar de uma vaga destinada à Assembleia, caberia aos deputados definir o nome de um eventual sucessor.
Conforme o deputado, a aposentadoria compulsória do atual ocupante está prevista para o início de 2028, quando completará 75 anos. Entretanto, ele afirmou que existe a possibilidade de o conselheiro decidir deixar o cargo antes desse prazo, já que possui tempo de serviço suficiente para requerer a aposentadoria.
“Ele já tem tempo suficiente, está com 73 anos de idade, já está com 18 anos de Tribunal de Contas. Então, há uma perspectiva de ele antecipar sua aposentadoria para abrir vaga para a Assembleia Legislativa”, afirmou.
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Diante dessa possibilidade, Júlio procurou o presidente da ALMT, Max Russi, para discutir como ocorreria a escolha caso a cadeira ficasse disponível. Segundo ele, a resposta foi de que a indicação dependeria da decisão dos parlamentares, sem garantia de preferência para qualquer interessado.
“Eu consultei o presidente Max sobre se, havendo a vaga no Tribunal de Contas, sendo do Legislativo, um desses dois mais antigos parlamentares teria chance de ser indicado. Ele disse: ‘Vai depender do plenário’”, contou.
Além de Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende, Júlio afirmou que os nomes dos deputados Eduardo Botelho e Carlos Avallone também foram mencionados nas conversas. Ele ressaltou, porém, que não existe definição sobre candidaturas ou apoios, uma vez que a cadeira continua ocupada.
“Essas conversações existem realmente, mas sem nenhum seguimento, porque, enquanto não houver a vaga, não há possibilidade de um deputado deixar a Assembleia para ser conselheiro do TCE. Mas que a vaga é do Legislativo, é do Legislativo”, destacou.
A eventual escolha de Dilmar ou Sebastião também poderia provocar mudanças na composição da Assembleia. Júlio explicou que, caso um dos dois deixe o mandato para assumir o Tribunal de Contas, a cadeira seria preenchida por um suplente do União Brasil.
Nesse cenário, o próprio Júlio Campos poderia retornar ao Legislativo. Ele também mencionou Michelly Alencar como outra possibilidade de convocação, caso não assuma a vaga.
“Se concretizar, sendo o Dilmar Dal Bosco ou o Sebastião Rezende o indicado, convocaria o suplente do União Brasil, que sou eu ou, se eu não quiser, a Michelly Alencar. Sem problema nenhum”, declarou.
Questionado se os dois deputados demonstraram interesse em ocupar o cargo, Júlio respondeu afirmativamente e destacou a estabilidade e a relevância institucional da função.
“Eles estão interessados, é claro. Quem não quer um cargo vitalício? Dilmar tem 59 anos, Sebastião tem 60, para ficar 15 anos ainda na ativa, num cargo de relevância como o TCE. Ninguém rejeita”, afirmou.
Ex-conselheiro do Tribunal de Contas, Júlio também citou sua experiência na instituição ao comentar o interesse dos colegas pela eventual indicação.
“Eu já fui conselheiro, sei o prestígio que tem o cargo de conselheiro. Aliás, tenho o privilégio de ser um conselheiro aposentado pelo TCE, com muita honra”, concluiu.
Apesar das articulações, não há confirmação de que o conselheiro pretenda antecipar sua aposentadoria. A abertura da vaga e a escolha de um novo integrante do Tribunal de Contas permanecem, portanto, no campo das possibilidades discutidas entre os parlamentares.