Instituto excluiu candidato do levantamento e publicou pesquisa sem registro em desacordo com a legislação eleitoral
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou a suspenção imediata de uma pesquisa para senador, governador e presidente da República publicada pelo Instituto Veritá.
A decisão desta quarta-feira (16) foi assinada pelo juiz Flavio Fraga e Silva, auxiliar da Propaganda do TRE, em representação movida pela candidata a senadora pelo MDB, Janaina Riva.
Segundo a representação, o questionário da pesquisa apresenta irregularidade insanável, ao não apresentar o candidato ao Senado, Beny Godoy (Agir).
Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)
"O art. 3º do regramento impõe, em comando cogente, que os nomes de todas os candidatos cujo registro tenha sido requerido constem da lista apresentada aos entrevistados. Os §§1º e 2º do mesmo dispositivo são expressos ao estabelecer que o indeferimento do registro de candidatura não autoriza, por si só, a exclusão do nome da lista, a ocorrer somente quando cessada a condição sub judice, nos termos do art. 51, §1º da Res. TSE nº 23.609/2019, pressupondo-se, com isso, o trânsito em julgado do indeferimento ou decisão colegiada do TSE, hipóteses que, ao menos em juízo perfunctório e à luz dos documentos apresentados no acervo, não se verificaram atéeste momento"
O magistrado ponderou que a ausência do nome do candidato no questionário do levantamento implica em irregularidade que justifica a antecipação de tutela.
"Nesse contexto, a exclusão pura e simples do nome de Beny Godoy do rol apresentado aos eleitores e não a mera aposição da ressalva prevista no §2º do art. 3º da Res. TSE 23.600 configura, em juízo de probabilidade, afronta à norma regulamentar, sendo apta a distorcer artificialmente o resultado proporcional da pesquisa em relação aos demais concorrentes à corrida eleitoral, notadamente diante da indivisibilidade da chapa majoritária"
Outra irregularidade constatada é que o instituto divulgou resultado de pesquisa para presidente da República sem qualquer registro junto ao TRE.
"No caso concreto, o campo “Cargo(s)” verificado na pesquisa MT-06319/2026 indica, exclusivamente, “Governador, Senador”, sem qualquer menção ao cargo de Presidente da República. A existência, no questionário efetivamente aplicado, de perguntas específicas sobre a disputa presidencial extrapola, em juízo preliminar, o objeto do registro, circunstância que se equipara, para os fins do art. 2º do regulamento sobre a matéria, à divulgação de pesquisa sem o prévio registro das informações exigidas, sujeitando-se, em tese, à sanção autônoma do art. 17"
A Veritá tem 10 dias para corrigir a irregularidade do questionário com o nome de Beny e o registro da pesquisa presidencial.
O Instituto tem 48 horas para responder à representação, depois o processo receberá parecer do Ministério Público Eleitoral. Após o trâmite, o mérito da representação deve ser julgado.