Investigação aponta que grupo teria mantido estrutura financeira ativa após prisão de liderança e movimentado milhões; jogador já havia sido citado em outra operação
A Polícia Civil de Mato Grosso voltou a mirar pessoas próximas a uma das principais lideranças criminosas investigadas no Estado durante a Operação Replay, deflagrada nesta quinta-feira (30). Entre os alvos estão o jogador de futebol amador Alex Junior Santos Alencar, conhecido como “Alex Soldado”, e a advogada Dayane Karol Moreira.
A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e investiga a continuidade de uma estrutura financeira atribuída a integrantes e colaboradores do Comando Vermelho. Ao todo, são cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, além de buscas, quebras de sigilo e medidas de bloqueio patrimonial em cidades de Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Alex Soldado chamou a atenção dos investigadores por sua proximidade com Paulo Witter Farias, conhecido como “W.T.”, apontado pela Polícia Civil como ex-tesoureiro da facção em Mato Grosso. O jogador fazia parte do time amador “Amigos W.T.” e, segundo informações apuradas, também atuaria como assessor de um vereador de Cuiabá.
Vídeo: Reprodução/PJC-MT
O nome de Alex já havia aparecido na Operação Apito Final, investigação anterior que atingiu a estrutura financeira da organização criminosa. Naquela ocasião, ele foi apontado como possível “laranja” ligado ao esquema investigado.
Na Operação Replay, porém, a Polícia Civil ainda não detalhou publicamente qual seria a função específica desempenhada por Alex dentro da estrutura investigada. A apuração busca esclarecer o papel de cada um dos alvos e identificar a eventual participação deles na movimentação financeira do grupo.
Advogada também está entre os alvos
Além do jogador, a advogada Dayane Moreira também foi alvo da nova operação. Segundo a investigação, pessoas próximas a W.T. teriam continuado a administrar recursos e patrimônio ligados à estrutura criminosa mesmo após a prisão da liderança.
A apuração aponta para a utilização de terceiros, movimentações financeiras e aquisição de bens em nome de pessoas que, segundo os investigadores, não teriam capacidade econômica compatível com o patrimônio identificado.
Milhões sob investigação
A dimensão financeira do caso é um dos principais pontos da Operação Replay. Conforme a Polícia Civil, documentos e registros analisados durante a investigação apontaram movimentações de pelo menos R$ 15,324 milhões, valor utilizado para fundamentar o pedido de bloqueio de ativos.
Além disso, a Justiça determinou medidas de sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos avaliados em aproximadamente R$ 17,28 milhões.
Os valores correspondem a diferentes medidas patrimoniais e financeiras determinadas judicialmente e não significam, necessariamente, dinheiro já recuperado pelos cofres públicos.
Estrutura teria continuado ativa após prisão de W.T.
De acordo com a Draco, a investigação identificou que W.T. teria continuado exercendo influência sobre a organização mesmo estando preso em uma unidade de segurança máxima.
Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que a liderança acompanhava arrecadações, cobranças, prestação de contas e orientava pessoas que permaneciam em liberdade.
A investigação também apontou a existência de operadores externos responsáveis por movimentações financeiras e pela administração de patrimônio que, segundo a Polícia Civil, estaria relacionado às atividades ilícitas.
Desdobramento de outras operações
A Operação Replay é resultado do aprofundamento das investigações realizadas nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que já haviam atingido integrantes da estrutura financeira investigada.
Segundo a Polícia Civil, a análise de dados obtidos durante as fases anteriores permitiu identificar uma possível reorganização do grupo e a permanência de pessoas responsáveis pela manutenção do fluxo financeiro.
Agora, os investigadores buscam individualizar a participação de cada alvo, além de interromper a movimentação de recursos e impedir a transferência ou ocultação de patrimônio.
As investigações continuam.