Candidata ao Senado afirmou estar tranquila após a campanha e destacou segundo lugar em pesquisa
A deputada estadual e candidata ao Senado Janaína Riva (MDB) votou na manhã deste domingo (4), em Cuiabá, demonstrando confiança após o encerramento de uma campanha que classificou como intensa, mas positiva. Depois de deixar a urna, ela falou sobre a expectativa para a apuração, avaliou a disputa eleitoral e apresentou algumas das pautas que pretende defender caso conquiste uma das duas cadeiras de Mato Grosso no Senado.
A votação ocorreu na Escola Professora Esmeralda, na região do Ribeirão do Lipa. Ao conversar com a imprensa, a parlamentar contou que, diferentemente de eleições anteriores, conseguiu passar uma noite tranquila e dedicou as últimas horas antes da abertura das urnas a agradecer apoiadores da Capital e do interior.
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“Pela primeira vez eu tive uma noite tranquila antes das eleições. A gente fica acordada até um pouco mais tarde, agradecendo os apoiadores que caminharam conosco, dando um feedback, muitos ligando de vídeo, finalizando a campanha em todo o interior e na capital mato-grossense. E aí, depois disso, consegui dormir, tive um sono maravilhoso”, relatou.
O domingo também começou, segundo ela, com um momento de oração e agradecimento pela trajetória percorrida durante a campanha.
“Acordei hoje, já fiz minha oração, já me ajoelhei, já rezei, agradecendo também pela oportunidade que eu tive, porque foi uma caminhada muito bonita. Da minha parte, sem ataques, uma caminhada limpa”, afirmou.
Ao comentar os diferentes levantamentos divulgados nos últimos dias da campanha, a deputada classificou o cenário como uma “guerra de pesquisas”, mas afirmou estar confiante no trabalho realizado durante o período eleitoral.
“É uma guerra de pesquisas, né? A gente já não sabe mais no que acreditar. Mas a certeza é que o trabalho foi feito. Hoje, obviamente, minha expectativa é ganhar as eleições”, declarou.
Um dos levantamentos citados por ela foi o da Percent Brasil. Na pesquisa divulgada no último sábado (3), considerando a média da primeira e da segunda opções de voto para as duas vagas ao Senado, Mauro Mendes (União) registrou 27,4%, Janaína, 19,9%, e José Medeiros (PL), 10,7%. O instituto ouviu 1.200 pessoas entre 26 e 29 de setembro, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais.
“Estou acreditando e me pegando à pesquisa Percent de ontem, que me coloca em segundo lugar já mais consolidada. E agora esperar o resultado das urnas”, disse.
Apesar da confiança manifestada após a votação, a parlamentar ponderou que a decisão final pertence ao eleitorado.
“Todo o trabalho feito, toda caminhada, tudo que pudemos fazer para conquistar o eleitor nós fizemos. Então, agora é só aguardar e ver a vontade popular hoje sendo exercida nas urnas”, acrescentou.
Ao fazer um balanço da corrida eleitoral, a postulante ao Senado afirmou que gostaria de ter visto uma campanha com maior espaço para apresentação de propostas. Na avaliação dela, os embates entre adversários acabaram ocupando parte significativa da discussão.
“Eu acho que poderia ter tido mais propostas. Pouca gente faz saber falar aqui quais são os compromissos dos seus candidatos efetivamente com os eleitores”, afirmou.
Ela também defendeu mudanças no formato dos debates e chamou atenção para o ambiente das redes sociais durante o período eleitoral.
“Precisa estudar um novo modelo de debates, inclusive de redes sociais, porque essa baixaria eleitoral contamina muito o processo”, declarou.
Para a deputada, a intensificação dos ataques entre adversários reduz o espaço destinado à discussão sobre compromissos que serão cobrados dos eleitos durante o mandato.
“Acaba fazendo com que o processo seja mais de ataques um com o outro e menos de propostas que sejam efetivamente cumpridas depois por oito anos”, acrescentou.
Questionada sobre as prioridades de um eventual mandato no Senado, apontou o enfrentamento à violência doméstica como uma das principais pautas que pretende levar ao Congresso Nacional.
“A prioridade minha é chegar no Senado e fazer esse debate que quero fazer acerca da violência doméstica. Essa é minha prioridade. Eu quero poder trabalhar em leis de prevenção, especialmente, e combate à violência contra mulheres e crianças”, afirmou.
Entre as medidas mencionadas estão o fortalecimento dos conselhos tutelares e a ampliação do atendimento psicológico e psiquiátrico destinado às vítimas.
Outra proposta apresentada é a criação, em parceria com o governo federal, de um auxílio emergencial para mulheres que precisem deixar suas casas após episódios de violência.
“Eu tenho um sonho de ter também, trabalhando com o governo federal, um cartão emergencial para mulher que é vítima de violência, como funciona em alguns países, para ela sair de lá, conseguir alugar um lugar para ficar com a sua família, conseguir comprar uma comida, ter o básico pelo menos nos primeiros dias depois que sofre essa agressão”, explicou.
A atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) também entrou na entrevista concedida após a votação. Ao ser questionada sobre o papel fiscalizador do Senado em relação à Corte, a parlamentar defendeu a limitação do período de permanência dos ministros no Supremo.
“Eu defendo que nós temos que reduzir o mandato, sim, de ministros do STF. Até porque 12 anos, na minha opinião, está de bom tamanho”, afirmou.
Ela ponderou que uma eventual alteração deveria ser aplicada aos futuros integrantes do tribunal, preservando as regras vigentes para os atuais ministros.
“Obviamente, eu sei que isso é algo que vai ser feito gradativamente. Não é algo que nós vamos mudar a regra com o jogo andando”, disse.
Também defendeu maior atuação do Senado na fiscalização e ressaltou a necessidade de independência e harmonia entre os Poderes.
“Essa independência dos Poderes é importante. Como temos aqui na Assembleia, por exemplo, a gente faz esse trabalho e tem uma relação harmônica com o Judiciário. Eu não vejo que isso aconteça hoje em âmbito federal”, declarou.
Na avaliação da deputada, eventuais denúncias envolvendo integrantes da Corte precisam ser submetidas aos procedimentos legais independentemente de posicionamentos políticos.
“Todos que cometem crime devem passar por um processo de investigação e impeachment”, afirmou.
Outro ponto abordado foi o clima de confronto registrado ao longo da disputa eleitoral. A parlamentar afirmou ter sido alvo de ataques e citou episódios envolvendo o adversário José Medeiros.
“Os ataques foram muito pesados. Não dá para você associar um candidato a uma organização criminosa, o PCC. Isso coloca a minha vida em risco, a vida dos meus filhos em risco. Na minha opinião, isso é um desequilíbrio, uma falta de discernimento, algo que não deveria acontecer no processo eleitoral”, afirmou.
As declarações representam a avaliação da própria candidata sobre os episódios ocorridos durante a campanha. Ela também criticou o tempo de resposta da Justiça Eleitoral diante de representações relacionadas ao conteúdo divulgado durante a disputa.
“O problema é que a Justiça Eleitoral demora demais. Foram muitos os ataques que partiram de diversos cidadãos contra mim”, declarou.
Ao avaliar o período eleitoral, afirmou acreditar que esteve entre os principais alvos de críticas e ataques durante a corrida pelo Senado.
“Eu acredito que tenha sido a mais agredida dessas eleições, por estar em segundo lugar. Não sei se por ser mulher, mas, enfim, estou preparada para enfrentar hoje as urnas e, se Deus quiser, ganhar essas eleições”, disse.
Após votar, a deputada informou que pretende acompanhar a apuração inicialmente em casa e, posteriormente, encontrar apoiadores.
Independentemente do resultado das urnas, afirmou que o encerramento da campanha representa também a retomada da convivência familiar depois de meses percorrendo municípios de Mato Grosso.
“Hoje eu falei que a grande vitoriosa de hoje é minha família, que vai me ter de volta, porque, olha, desde o ano passado eu estou andando por todo o Estado”, afirmou.
A rotina intensa da campanha, segundo ela, também foi sentida pelos filhos.
“Eu vejo também nos meus filhos a ausência e tudo mais. Então, hoje, saindo vitoriosa ou não, a minha família é a grande vencedora das eleições”, concluiu.