Vereador diz respeitar trabalho das autoridades e descarta discussões sobre eleição durante confraternização
O vereador Ilde Taques (Podemos), recém-eleito presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, afirmou na manhã desta terça-feira (20) que os agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apreenderam apenas seu telefone celular durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência. O parlamentar também negou ter participado de articulações políticas durante uma confraternização realizada às vésperas da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, que está sob investigação.
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Em entrevista à imprensa, Ilde confirmou que esteve no encontro acompanhado do vereador Alex Rodrigues (Podemos), também alvo da Operação Cathedra Venalis. Segundo ele, a confraternização ocorreu em uma chácara pertencente a um vereador de Várzea Grande, que seria seu amigo, e não teve qualquer relação com a disputa pelo comando do Legislativo municipal.
"Apenas participamos de um almoço, eu e o vereador Alex. Se tivesse me convidado, iria de novo, porque quem me convidou foi um amigo meu, era uma confraternização entre vereadores. Eu participei, demorei pouco menos de duas horas e fui embora", declarou.
Vídeo: Danilo Figueiredo
Questionado se o encontro, realizado um dia antes da votação, teria servido para definir apoios ou negociar votos para a presidência da Câmara de Várzea Grande, o parlamentar descartou qualquer discussão política durante sua permanência no local.
"Não foi falado nada de articulação lá, não foi falado nada da eleição da Câmara. Eu não participei. Fui apenas convidado para um almoço, ainda fui de última hora", afirmou.
Durante a entrevista, Ilde também foi questionado sobre uma abordagem policial anterior, que teria ocorrido após o almoço, e sobre a possibilidade de ter sido encontrada alguma quantia em dinheiro em seu veículo.
Inicialmente, o vereador respondeu que nenhum objeto ilegal havia sido apreendido, tanto na abordagem quanto nas buscas realizadas nesta terça-feira. Diante da insistência dos jornalistas, que ressaltaram que portar dinheiro não constitui irregularidade, o parlamentar negou a presença de valores no veículo.
"Não foi apreendido nada ilegal, nem na minha casa e nem na abordagem", declarou. Ao ser perguntado diretamente se havia dinheiro no carro, respondeu: "Não".
Sobre o cumprimento do mandado em sua residência, Ilde afirmou que recebeu os investigadores e colaborou com os procedimentos. Ele também ressaltou que respeita o trabalho das autoridades responsáveis pela apuração.
"Recebi as autoridades. É importante falar que eu respeito o trabalho da segurança, das autoridades. Levaram apenas o meu celular", disse.
A Operação Cathedra Venalis investiga suspeitas de corrupção, extorsão, ameaças, chantagem e cárcere privado relacionadas ao processo eleitoral que reconduziu Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara de Várzea Grande.
A votação ocorreu em 14 de maio e terminou com a vitória de Wanderley por 12 votos a 11. Posteriormente, o resultado foi anulado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao todo, foram expedidos 30 mandados de busca e apreensão, cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os alvos estão vereadores, um suplente e uma servidora do Legislativo várzea-grandense.
A investigação tramita sob sigilo. Até o momento, não foram divulgados elementos que permitam estabelecer qual seria a eventual participação individual de Ilde Taques nos fatos apurados. O cumprimento do mandado de busca e apreensão não representa comprovação de envolvimento nos crimes investigados.
Veja a íntegra da nota divulgada à imprensa pela defesa de Ilde Taques
O vereador Ilde Taques informa à sociedade que, no dia de hoje, recebeu agentes do Gaeco-MT para o cumprimento de mandado de busca e apreensão na sua residência.
De início, cumpre esclarecer que não houve qualquer reserva da parte do vereador que colaborou com o cumprimento do mandado e acompanhou os agentes que não encontraram qualquer elemento relevante que sugira relação com fatos irregulares.
O vereador Ilde Taques ainda não teve acesso ao processo que tramita de forma sigilosa e, portanto, não pode adiantar declarações sobre o mérito das investigações.
Certo de que a sociedade cuiabana e mato-grossense merece respeito por meio de informações públicas e confiáveis, o vereador Ilde Taques coloca-se à inteira disposição das autoridades judiciárias para continuar prestando suas declarações e seguindo normalmente em sua vida parlamentar.