Deputado considera que a fala de Janaina sobre chegar ao Senado “ao lado de Fávaro” acabou tendo efeito negativo durante a campanha
A mudança na composição da chapa e uma declaração envolvendo o senador Carlos Fávaro (PSD) estão entre os fatores que, na avaliação do deputado estadual eleito Léo Bortolin (MDB), prejudicaram Janaina Riva (MDB) na corrida pelo Senado. A emedebista terminou a eleição em terceiro lugar e ficou fora das duas vagas em disputa.
Ao analisar o resultado, Léo afirmou que uma eleição equilibrada pode ser definida por decisões tomadas ao longo da campanha. Para ele, a candidatura de Janaina acumulou episódios que tiveram reflexos nas urnas.
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“Acho que o Estado perde de não ter uma senadora como ela, mas uma eleição como essa leva em consideração quem erra menos”, declarou.
O deputado eleito contou que teve apenas uma conversa rápida com Janaina por telefone na terça-feira (6). Segundo ele, os dois ainda não discutiram detalhadamente os motivos do desempenho eleitoral, e o MDB deverá fazer uma avaliação mais ampla da campanha.
Entre os pontos mencionados por Léo está a substituição dos candidatos a suplente durante a disputa. Inicialmente, Aluizo Lima e Ibrahim Zaher ocupavam as duas posições. Posteriormente, a chapa foi reformulada, com Danilo Trento assumindo a primeira suplência e Rafael Torres a segunda.
Para Bortolin, a alteração feita durante a campanha acabou interferindo na candidatura.
“Todo esse movimento aí que aconteceu, acho que da troca dos suplentes em cima da hora, enfim, alguns atos aí acabaram resultando no resultado que aconteceu”, disse.
Outro episódio apontado pelo deputado ocorreu durante um evento eleitoral, quando Janaina declarou que gostaria de chegar ao Senado “ao lado do Fávaro”. A fala provocou repercussão durante a campanha. Posteriormente, a candidata afirmou que não havia pedido votos para o adversário e explicou que apenas dividia o mesmo palanque com ele naquele momento.
“Eu acho que os suplentes pesaram muito e acho que a fala em relação ao Fávaro também acabou puxando para baixo”, afirmou.
Por outro lado, o deputado eleito não atribui o resultado à aliança construída entre MDB e PL na disputa estadual. A composição foi alvo de resistência de integrantes do campo bolsonarista, que criticaram a presença dos emedebistas na chapa apoiada por Wellington Fagundes (PL).
Questionado se essa aproximação teria prejudicado Janaina, Léo respondeu: “Não, eu acho que não. Na minha visão, eu vejo que não atrapalhou”.
Para ele, as críticas à candidata ocorreriam mesmo em outro cenário de alianças. Bortolin entende que questões internas da campanha e a maneira como determinados episódios foram comunicados tiveram maior influência no desempenho eleitoral.
Apesar das críticas, o deputado afirmou considerar negativa para o cenário político estadual a ausência de Janaina de um cargo eletivo e defendeu que o partido faça uma avaliação dos erros cometidos durante a disputa.
“Agora cabe a nós fazermos um balanço com ela, mas, de qualquer forma, eu vejo que Mato Grosso perde muito de não ter a Janaina no cenário político novamente”, declarou.
Janaina recebeu 519.434 votos, equivalentes a 14,53%, e terminou na terceira colocação. Mauro Mendes (União) conquistou uma das vagas com 1.187.352 votos, enquanto José Medeiros (PL) ficou com a outra cadeira ao receber 977.777 votos.