Medida tem validade de 90 dias e foi adotada diante do risco de propagação dos incêndios para comunidades rurais e áreas próximas à UFMT
A Prefeitura de Santo Antônio de Leverger, em Mato Grosso, decretou situação de emergência por 90 dias diante do avanço dos incêndios florestais na zona rural do município. A medida ocorre em meio ao avanço das chamas sobre o Morro de Santo Antônio, um dos principais cartões-postais do Estado.
O decreto foi baseado em parecer técnico da Defesa Civil Municipal, que apontou condições favoráveis à propagação do fogo e risco para comunidades rurais e outras áreas da região. Entre os pontos sob atenção estão as comunidades de Morrinho, Varginha e Altos do Leverger, além da Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O cenário ocorre em meio a um período de temperaturas elevadas e vegetação seca. Na segunda-feira (31), Santo Antônio do Leverger registrou máxima de 41,4°C, segundo dados citados a partir do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
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O fogo também atingiu a região da comunidade de Morrinho, no entorno do morro. De acordo com moradores, as chamas avançaram por diferentes pontos da área, aumentando a preocupação com a segurança das comunidades próximas.
Diante da dimensão do incêndio, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) ampliou, nesta terça-feira (1º), a operação de combate. Três aeronaves passaram a atuar diretamente na ocorrência, em conjunto com cinco equipes posicionadas em pontos estratégicos da área atingida.
O reforço aéreo reúne estruturas do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM) e da Defesa Civil Estadual. A estratégia permite alcançar diferentes frentes de fogo e ampliar a capacidade das equipes de conter o avanço das chamas.
O incêndio foi identificado na tarde de segunda-feira (31), depois que o monitoramento por satélite apontou focos de calor na região. As primeiras equipes foram deslocadas para o local e iniciaram o reconhecimento da área e o combate direto.
Na segunda-feira, uma aeronave chegou a ser mobilizada para auxiliar na operação, mas o lançamento de água não foi autorizado naquele momento devido a restrições operacionais relacionadas ao fluxo de voos na região do Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon. Nesta terça, com a autorização para as operações aéreas e a definição das condições de segurança para os voos em baixa altitude, o combate foi intensificado.
As equipes terrestres trabalham para impedir que as chamas avancem para áreas ainda preservadas e regiões próximas às comunidades rurais. A gerência da Unidade de Conservação onde está localizado o Morro de Santo Antônio também acompanha a operação e atua em conjunto com os órgãos responsáveis pelo combate.
O Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) mantém o monitoramento da ocorrência e acompanha a evolução das frentes de incêndio para orientar as estratégias adotadas pelos bombeiros.
O combate ocorre em meio a um cenário considerado favorável à propagação do fogo. O parecer técnico da Defesa Civil Municipal, utilizado como base para o decreto de emergência, apontou condições favoráveis à ocorrência e expansão de incêndios florestais.
Além do Morro de Santo Antônio e da comunidade de Morrinho, estão entre as áreas consideradas de atenção as comunidades de Varginha e Altos do Leverger e a Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A prefeitura também autorizou a convocação de voluntários para auxiliar nas ações de combate e resposta aos incêndios.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre pessoas feridas nem sobre a extensão total da área consumida pelas chamas. As causas do incêndio também ainda não foram esclarecidas.
Vídeo: Reprodução
Visitação ao morro continua suspensa
O incêndio ocorre enquanto o Morro de Santo Antônio permanece fechado para visitação pública. A suspensão foi prorrogada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) por mais 180 dias, em razão de intervenções relacionadas à infraestrutura, organização das trilhas e ordenamento do uso público da unidade de conservação.
Com o avanço do fogo, a prioridade das autoridades é conter as chamas e evitar que o incêndio alcance novas áreas e comunidades rurais.
Período de proibição do uso do fogo
O Corpo de Bombeiros reforça que está proibido o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal entre 1º de julho e 30 de novembro de 2026. Nas áreas urbanas, a utilização do fogo é proibida durante todo o ano.
A prática irregular pode configurar crime ambiental e representar riscos à população, ao meio ambiente e às propriedades rurais.
Denúncias sobre incêndios ou uso irregular do fogo podem ser feitas pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros, e 190, da Polícia Militar.