OPERAÇÃO LINCEU

Ex-servidor do STJ suspeito de vazar informações a Willer Tomaz é alvo da Polícia Federal

Fábio Amato, Márcio Falcão, Gustavo Garcia, g1 — Brasília
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Ex-servidor do STJ suspeito de vazar informações a Willer Tomaz é alvo da Polícia Federal
O advogado Willer Tomaz, alvo de inquérito no STF — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Polícia Federal realiza nesta segunda-feira (19) uma operação para apurar possível violação de sigilo funcional por parte de Humberto Fontoura Pradera, um ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O ex-servidor é suspeito de ter facilitado o acesso indevido do advogado Willer Tomaz a informações de processos em tramitação no STJ.

🔎O advogado Willer Tomaz é amigo do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Willer é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro. A operação da PF desta segunda foi determinada dentro desse inquérito.

Alvo da operação, Humberto Pradera ocupava o cargo em comissão de secretário de Tecnologia da Informação da Corte, do qual foi exonerado na última sexta-feira (16) pelo presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão.

Os agentes da PF cumprem um mandado de busca e apreensão contra Pradera, em Brasília, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito aberto no STF.

Batizada de Operação Linceu, a operação desta segunda apura a suposta prática dos seguintes crimes:

  • violação de sigilo funcional
  • peculato eletrônico
  • corrupção ativa e passiva
  • lavagem de dinheiro

Apuração da PF

De acordo com apurações da Polícia Federal, que constam de um relatório elaborado pela corporação, Humberto Fontoura Pradera, então servidor da área de tecnologia do STJ, repassou ao advogado Willer Tomaz informações relacionadas a demandas internas do tribunal.

Em mensagens, Pradera contou a Willer que duas pessoas haviam sido designadas para tratar de determinado assunto e afirmou que manteria o advogado informado.

Outro episódio aponta que Pradera encaminhou uma fotografia de um documento exibido na tela de um computador, com um carimbo sobre a mesa.

Pradera ocupava uma posição de destaque no tribunal exercendo o cargo de secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação (STI).

Antes disso, também havia sido assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial do STJ, participando de projetos ligados à transformação digital, à inteligência artificial e aos sistemas internos do tribunal.

Em outra troca de mensagens que consta no documento, ao ser questionado por Willer sobre “qual o número deles?”, Pradera respondeu que “essa tá no REsp 2122969” e afirmou que a tutela teria perdido efeito em razão do julgamento.

Segundo os investigadores, a conversa mostra o compartilhamento de informações sobre o processo, acompanhado de explicações sobre seus possíveis efeitos.

Atuação de Willer Tomaz

Em relação ao que a PF já investigou sobre Willer Tomaz, no inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro, os investigadores afirmam que a atuação dele se concentrava em dois eixos: financeiro e jurídico.

No plano financeiro, a Polícia Federal identificou movimentações de cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025, caracterizadas por grandes entradas seguidas de fracionamento, triangulações e repasses entre diversas empresas e plataformas de apostas, além de conexões com agentes políticos e servidores públicos.

No eixo jurídico, a investigação apontou uma suposta interferência em processos de alto interesse econômico no STJ e na PGR.

As investigações indicam que Willer recebia votos, ementas e decisões judiciais de forma antecipada, influenciando decisões como a desistência de recursos, além de enviar orientações e conteúdos para a elaboração de pareceres do Ministério Público Federal.