Segundo delegado da Draco Victor Hugo Caetano de Freitas, membros de uma igreja usavam a assistência religiosa para entrar em presídios e prestar apoio a líderes de uma organização criminosa
"Eles entravam nos presídios como missionários, mas atuavam em favor da facção criminosa." A afirmação é do delegado da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Victor Hugo Caetano de Freitas, ao detalhar a Operação Fariseus, deflagrada nesta quinta-feira (16) pela Polícia Civil de Mato Grosso. De acordo com o delegado, a investigação identificou que um grupo familiar utilizava um projeto religioso para obter acesso ao sistema prisional e prestar apoio comunicacional, financeiro e logístico a integrantes de uma organização criminosa.
O delegado informou que a operação cumpriu 27 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, quatro mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilos telefônico, telemático e bancário.
"A Polícia Civil, por meio da GCCO e da Draco, deflagrou nesta data a Operação Fariseus para apurar os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Foram cumpridas 27 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, quatro mandados de busca e apreensão, além de quebras de sigilos telefônico, telemático e financeiro", afirmou o delegado.
Segundo Victor Hugo, o grupo utilizava o trabalho missionário apenas como fachada para manter contato com presos e lideranças da facção.
"Os criminosos são membros de igreja evangélica e atuavam adentrando presídios com o subterfúgio de serem missionários e levarem a palavra aos detentos. Só que, ao invés disso, tinham relação íntima com líderes da facção criminosa que atua em Mato Grosso, levavam recados e também lavavam dinheiro para esses integrantes", declarou.
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Conforme a investigação, a principal alvo da prisão preventiva mantinha um relacionamento afetivo com líderes da organização criminosa. Já os pais dela, pastores de uma igreja evangélica, também são investigados por supostamente colaborar com o esquema.
"A investigada presa tinha uma relação íntima de afeto com líderes da organização criminosa. Os pais dela, que também foram alvos da operação, são pastores de uma igreja evangélica e atuavam da mesma forma, levando recados e atuando em prol da organização criminosa fora dos presídios", disse.
A investigação aponta ainda que o grupo é suspeito de atuar na intermediação de mensagens entre presos e integrantes da facção em liberdade, além de movimentar recursos financeiros para ocultar a origem do dinheiro, prática que caracteriza, em tese, o crime de lavagem de dinheiro.
O delegado ressaltou que as diligências continuam e que a análise do material apreendido poderá resultar em novos desdobramentos.
"As investigações continuam no inquérito de apuração e o próximo caderno investigativo será remetido ao Judiciário para que haja ação penal em desfavor desses membros de organização criminosa e atuantes no nosso estado", concluiu.