Prefeito diz que eleitores da direita apoiaram candidatos do PL ao Legislativo, mas recusaram Wellington para governador
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), atribuiu a derrota de Wellington Fagundes (PL) na corrida pelo Governo de Mato Grosso a dois fatores: a rejeição enfrentada pelo senador e a decisão do partido de construir uma aliança eleitoral com o MDB. Para Abilio, o resultado confirmou um alerta que ele fazia desde o início das articulações.
A avaliação foi feita ao comentar a declaração do presidente estadual do PL, Ananias Filho, que reconheceu que a composição com o MDB provocou resistência entre eleitores conservadores e prejudicou o desempenho da candidatura de Wellington.
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“Só se for tarde para eles, porque eu estou falando que essa aliança é um erro desde o primeiro dia que eles ameaçaram fazer essa aliança. Eu tenho falado que não deveriam coligar desde o primeiro dia”, declarou Abilio.
Durante a campanha, o acordo entre PL e MDB foi alvo de divergências dentro da própria direita. A composição incluiu Janaina Riva (MDB), nora de Wellington, na disputa pelo Senado e provocou críticas de lideranças que rejeitavam a aproximação entre as duas siglas.
Na avaliação do prefeito, a tentativa de construir uma chapa a partir de acordos partidários não foi suficiente para convencer o eleitor.
“O eleitor não se engana mais. Os partidos fazem os seus planos, traçam as suas estratégias, mas o eleitor está atento a tudo isso”, afirmou.
Abilio também apontou o desempenho do PL nas eleições proporcionais como um indicativo de que a legenda manteve força entre os eleitores, mas Wellington não conseguiu transformar esse apoio partidário em votos para governador.
Para sustentar a avaliação, o prefeito destacou que eleitores escolheram candidatos do PL para deputado estadual e federal, mas fizeram uma opção diferente na disputa pelo Palácio Paiaguás.
“Mas por que ele não pôs 22 para governo? Porque ele estava claro. Ele tinha dúvidas sobre quem votaria para senador, para quem ele votaria para deputado federal ou para deputado estadual. Mas ele não tinha dúvida em quem ele não queria para governador”, disse.
Segundo Abilio, portanto, o desempenho de Wellington não pode ser explicado apenas pela composição partidária. Para ele, havia também uma rejeição específica à candidatura ao Governo, agravada por uma estratégia política que não correspondia às expectativas de parte do eleitorado conservador.
“Então a rejeição da candidatura de governo, aliada a todo esse discurso que não combina com o que o eleitor da direita queria, acabou trazendo esse resultado”, concluiu.
A análise encontra respaldo, em parte, na avaliação feita pelo próprio comando estadual do PL. Ananias Filho admitiu que a união com o MDB teve impacto negativo na campanha e afirmou que pessoalmente não defendia a composição, mas seguiu uma orientação da direção nacional da legenda.
Apesar de Wellington não ter vencido a disputa pelo Governo, Ananias avaliou que o desempenho geral do PL nas urnas foi positivo. O partido elegeu José Medeiros para o Senado, além de três deputados federais e quatro estaduais.