Senador criticou a substituição do VLT pelo BRT e afirmou que a população continua sem um sistema de transporte de qualidade
O senador Carlos Fávaro (PSD) voltou a criticar a decisão do Governo de Mato Grosso de abandonar o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e substituir o modal pelo BRT. Em visita às obras ainda inacabadas na região da Prainha, em Cuiabá, o parlamentar afirmou que a população foi prejudicada pela mudança e cobrou mais compromisso com quem depende do transporte coletivo.
A manifestação ocorre após vídeos mostrando o funcionamento dos trens adquiridos pelo governo baiano ganharem repercussão nas redes sociais. As composições pertenciam originalmente ao projeto do VLT de Cuiabá e Várzea Grande e foram vendidas pelo Estado à Bahia, onde já estão transportando passageiros.
Para Fávaro, as imagens reforçam o contraste entre a situação vivida pelos usuários do transporte público em Salvador e a realidade enfrentada pelos mato-grossenses, que continuam aguardando a conclusão das obras do novo sistema.
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"O trabalhador merecia o VLT. O que ele recebeu foi a promessa de um BRT que, na prática, é só ônibus passando numa pista ao lado. E nem essa pista ficou pronta", declarou.
O senador também criticou a condução do projeto ao longo dos últimos anos. Segundo ele, Mato Grosso investiu recursos elevados na implantação do VLT, mas o sistema nunca entrou em operação. Posteriormente, os vagões foram negociados com o governo baiano, que colocou o modal em funcionamento em período inferior ao tempo em que o empreendimento permaneceu paralisado no Estado.
"O governo não deu conta de fazer o VLT. Venderam os trens para a Bahia. Nossos irmãos baianos estão usando o transporte confortável que o governo daqui não implantou. Isso é a demonstração de que essa gestão nunca respeitou o trabalhador", afirmou.
Durante as críticas, Fávaro também mencionou os valores investidos nos projetos de mobilidade urbana. Conforme o parlamentar, a implantação do VLT consumiu mais de R$ 1 bilhão, enquanto a retirada da estrutura já instalada representou outro gasto milionário. Ele lembrou ainda que o contrato do BRT foi firmado em 2022, recebeu pagamentos parciais, acabou rescindido e, até o momento, o sistema permanece sem conclusão.
Na avaliação do senador, a demora na execução das obras também provocou impactos econômicos para comerciantes instalados ao longo da Avenida do CPA, uma das principais vias atingidas pelas intervenções.
Ao encerrar a manifestação, Fávaro responsabilizou as atuais gestões estaduais pelo atraso na entrega de um sistema de transporte coletivo de maior capacidade e afirmou que a população segue sem receber a solução prometida.
"Dois governos, Mauro Mendes e agora Otaviano Pivetta, oito anos no poder e nenhum quilômetro entregue. Os mato-grossenses estão sem trem e sem ônibus. Sem transporte de qualidade. É muita incompetência. Esse modelo de gestão tem que mudar. Chega dessa turma. A perda do VLT é uma mancha que envergonha Mato Grosso diante de todo o Brasil", concluiu.