"TRAIU MINHA CONFIANÇA"

Dono da pistola usada para matar Zampieri diz que Antônio pegou arma sem autorização

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Dono da pistola usada para matar Zampieri diz que Antônio pegou arma sem autorização
O réu Hedilerson Fialho Martins Barbosa - Foto: Reprodução / Rodrigo Moura

Hedilerson alegou inocência e afirmou ter ficado “abismado” ao receber o resultado da perícia

Hedilerson Fialho Martins Barbosa negou qualquer envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri e atribuiu a Antônio Gomes da Silva, autor confesso dos disparos, a retirada da arma utilizada no crime. Durante interrogatório nesta quarta-feira (30), no Tribunal do Júri de Cuiabá, ele sustentou que a pistola teria sido pega sem seu conhecimento enquanto estava guardada no hotel onde os dois estavam hospedados.

A versão confronta a acusação apresentada contra Hedilerson, apontado pelo Ministério Público como participante do plano criminoso e responsável por fornecer a arma usada no homicídio. Diante dos jurados, entretanto, o réu afirmou que não entregou o armamento e que desconhecia qualquer intenção de Antônio de matar Zampieri.

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Ao falar sobre a relação que mantinha com Antônio antes do crime, Hedilerson disse que confiava nele e afirmou ter sido surpreendido ao descobrir o destino dado à pistola.

“Não acreditei que ele tinha usado minha arma. Traiu minha confiança. Ele era uma pessoa, até então, idônea”, declarou.

Durante as perguntas da defesa, Hedilerson foi questionado diretamente se Antônio havia mentido para ele. Respondeu que sim. Em seguida, ao ser perguntado se considerava que havia sido traído, afirmou: “Com certeza”. A alegação de que Antônio retirou a arma sem autorização é a tese apresentada por Hedilerson e por seus advogados no julgamento.

Hedilerson contou aos jurados que conheceu Antônio em um clube de tiro em Minas Gerais, onde trabalhava como instrutor. Segundo seu relato, Antônio frequentava o estabelecimento e recebia acompanhamento durante as atividades.

A viagem para Mato Grosso, conforme a versão apresentada pelo réu, teria como finalidade sua participação em uma competição de tiro. Hedilerson afirmou que aceitou dividir a hospedagem com Antônio depois de ser informado de que o local já estava pago, o que reduziria suas despesas durante a permanência em Cuiabá.

A pistola posteriormente identificada pela perícia como a utilizada no assassinato, segundo Hedilerson, havia sido levada para a competição. Ele relatou que deixou o armamento dentro de uma maleta no quarto antes de sair para jantar.

“Deixei ela na maleta, onde ela deveria estar”, afirmou.

O réu declarou ainda que não possuía autorização para circular com a arma fora das condições relacionadas à atividade esportiva e, por isso, teria optado por mantê-la no hotel.

Ao saber posteriormente que a perícia havia relacionado sua pistola ao assassinato de Zampieri, Hedilerson disse ter ficado surpreso.

“Eu tinha pra mim que era só um suspeito. Fiquei abismado quando recebi o resultado da perícia”, declarou.

A defesa sustenta que não foram encontradas, nas extrações dos celulares analisados, conversas nas quais Hedilerson oferecesse ou entregasse a arma a Antônio. Esse argumento integra a estratégia dos advogados para afastar a acusação de que o instrutor teria colaborado conscientemente com a execução.

Durante o interrogatório, Hedilerson também falou sobre os impactos da prisão em sua vida pessoal. Emocionado, afirmou que era responsável pelo sustento da família e que chegou a trabalhar como mototaxista por aplicativo para complementar a renda antes de ser preso.

Ele também mencionou o filho, de cinco anos, e afirmou que a criança não sabe que o pai está preso.

“Desde o dia que entrei aqui eu não tive o direito de falar com minha família”, disse.

Antônio Gomes já havia sido interrogado nesta quarta-feira. Ele admitiu ter matado Zampieri, mas apresentou aos jurados a versão de que teria agido sozinho e negou ter recebido pagamento ou ordem para executar o advogado.

Além dos dois, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas também está no banco dos réus. Conforme a denúncia, Antônio é acusado de executar o homicídio, Hedilerson de participar do plano e fornecer a arma e Caçadini de integrar a empreitada criminosa. As versões e responsabilidades atribuídas a cada acusado estão sendo submetidas ao Conselho de Sentença.

Roberto Zampieri foi morto a tiros em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. O advogado estava dentro do próprio veículo, nas proximidades do escritório onde trabalhava, quando foi atingido.

O julgamento prossegue no Fórum de Cuiabá, onde os jurados deverão decidir sobre a responsabilidade individual dos três acusados pelo assassinato.