Advogados afirmam que receberam 109 GB de provas poucos dias antes do julgamento e dizem que não houve tempo para análise completa
O julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, começou nesta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá, tendo como principal estratégia da defesa a tentativa de demonstrar que o réu não teve assegurado o pleno direito de defesa durante a instrução do processo. Os advogados também voltaram a defender que ele seja submetido a uma perícia oficial para avaliar seu estado de saúde mental à época dos homicídios.
Carlinhos é acusado de matar a ex-companheira, Thays Machado, e Willian Cesar Moreno, namorado dela, em janeiro de 2023. O caso está sendo julgado pelo Tribunal do Júri.
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Durante entrevista concedida antes do início da sessão, os advogados afirmaram que o comportamento do empresário no dia do crime precisa ser analisado por especialistas. Segundo eles, existem indícios suficientes para justificar uma avaliação psiquiátrica realizada por peritos oficiais.
A equipe jurídica destacou que anexou ao processo um estudo elaborado por um especialista contratado pela defesa, composto por centenas de páginas, no qual seria apontada a necessidade de um exame técnico conduzido pelo Estado.
Na avaliação dos defensores, impedir essa perícia compromete o direito do acusado de produzir provas consideradas relevantes para sua defesa.
Outro ponto levantado pelos advogados diz respeito ao acesso ao material probatório reunido durante a investigação.
Segundo a defesa, poucos dias antes do julgamento foram disponibilizados arquivos digitais que somam cerca de 109 gigabytes, contendo documentos, vídeos e outros registros relacionados ao caso.
Os advogados sustentam que o prazo entre o recebimento desse material e o início do júri foi insuficiente para uma análise detalhada de todo o conteúdo.
Além disso, afirmaram que também tiveram acesso, às vésperas do julgamento, a processos vinculados à ação principal, com mais de mil páginas de documentos.
O Ministério Público atribui os homicídios a um contexto de inconformismo com o fim do relacionamento entre Carlinhos e Thays Machado.
De acordo com a acusação, o empresário teria monitorado os passos da ex-companheira após a separação e planejado o ataque motivado por ciúmes e sentimento de vingança.
Os defensores, entretanto, afirmam que essa versão foi construída com base em trechos isolados de anotações pessoais do acusado, sem considerar o conjunto completo das provas reunidas durante a investigação.
Para a defesa, uma análise integral dos documentos poderia conduzir a uma interpretação diferente sobre os acontecimentos e enfraquecer a tese de que o crime foi premeditado.
A sessão é presidida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.
Ao longo do julgamento, a defesa continuará sustentando que houve restrições ao exercício do contraditório e da ampla defesa, além de insistir na necessidade de realização de exame de sanidade mental. Enquanto isso, o Ministério Público busca convencer os jurados de que o acusado praticou os crimes de forma consciente e planejada.
Ao final dos debates, caberá ao Conselho de Sentença decidir se Carlinhos Bezerra será condenado ou absolvido pelas mortes de Thays Machado e Willian Cesar Moreno.