Sindicância buscará esclarecer as circunstâncias da morte, sem antecipar responsabilidade profissional
A morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, durante a realização de procedimentos estéticos no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá, será investigada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). A paciente sofreu uma parada cardiorrespiratória durante a cirurgia e não resistiu, apesar das tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica por aproximadamente duas horas.
O caso envolve o médico Euller Gustavo Pompeu, responsável pelos procedimentos, e também teve um desdobramento policial após o profissional relatar ter sido agredido e ameaçado de morte dentro da unidade hospitalar.
A paciente realizava intervenções que incluíam lipoescultura e colocação de próteses mamárias quando apresentou a complicação. Conforme informações divulgadas pelo Olhar Direto, os profissionais identificaram a gravidade da situação e iniciaram as medidas de emergência, mas não conseguiram reverter o quadro.
Diante da morte, o CRM-MT anunciou a abertura de uma sindicância de ofício para examinar o atendimento e esclarecer os fatos relacionados aos procedimentos cirúrgicos.
Em manifestação divulgada neste sábado, o conselho prestou solidariedade aos familiares e amigos da paciente e informou que a investigação seguirá os trâmites previstos para a apuração de possíveis infrações éticas.
O procedimento ocorrerá sob sigilo. A entidade também ressaltou que a instauração da sindicância não significa que tenha sido identificada alguma irregularidade ou que exista uma condenação antecipada dos profissionais envolvidos.
A análise deverá considerar os elementos reunidos sobre o atendimento, assegurando ao médico e aos demais integrantes da equipe o direito de apresentar suas versões e exercer a ampla defesa e o contraditório.
Além da investigação no âmbito profissional, a morte foi acompanhada por uma ocorrência envolvendo o cirurgião e familiares da paciente.
Segundo as informações relatadas, o médico teria sido atingido por um soco no rosto após comunicar o falecimento. Por meio de sua assessoria jurídica, ele também afirmou ter recebido ameaças de morte.
A Polícia Militar foi chamada ao hospital e registrou a ocorrência. As alegações de agressão e ameaça deverão ser esclarecidas pela Polícia Civil.
Em posicionamento encaminhado à imprensa, a defesa de Euller sustentou que o procedimento foi realizado em estrutura hospitalar apropriada, com profissionais habilitados e após os exames e avaliações necessários.
Os representantes do médico afirmaram que uma intercorrência inesperada levou à interrupção da cirurgia e ao início imediato das manobras de reanimação. A causa exata da complicação, segundo a defesa, ainda depende de esclarecimento pelos órgãos responsáveis.
A assessoria jurídica também defendeu a habilitação profissional do cirurgião, mencionou sua experiência de mais de 25 anos e repudiou a divulgação de informações médicas protegidas por sigilo.
Até a conclusão das apurações, não há definição sobre eventual responsabilidade profissional relacionada à morte da paciente.
Outro lado – Nota integral do médico
O Dr. Euller Gustavo Preza e sua assessoria jurídica lamentam profundamente o falecimento da paciente, ocorrido nesta sexta-feira (16), e se solidarizam com a família e os amigos neste momento de dor.
O procedimento foi realizado em ambiente hospitalar adequado, por profissionais plenamente habilitados, após as avaliações pré-operatórias exigidas. Durante a cirurgia, a equipe identificou uma intercorrência súbita, interrompeu imediatamente o procedimento e manteve as manobras de reanimação por cerca de duas horas, infelizmente sem sucesso.
Tudo indica tratar-se de uma complicação súbita, descrita na literatura médica. A causa, contudo, será esclarecida pelos órgãos oficiais competentes.
O Dr. Euller tem longa trajetória e vasta experiência neste tipo de procedimento ao longo de mais de 25 anos de trabalho.
Esclarecemos que o médico regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina está legalmente habilitado à prática de atos médicos, inclusive cirúrgicos, nos termos da Lei nº 3.268/1957. E repudiamos veementemente quaisquer tentativas de desqualificar sua habilitação, visto que o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) não é requisito para essa prática.
Sobre a notícia que divulga uma possível agressão ao médico, esta assessoria jurídica esclarece que tanto a agressão quanto ameaça de morte foram registradas pelo médico em um Boletim de Ocorrência, no intuito de preservar sua integridade física.
Em respeito à família e ao sigilo médico, não serão divulgadas informações do atendimento. Por isso repudiamos a divulgação indevida de imagens, de dados de prontuário ou de qualquer informação que não corresponda aos fatos.
Seguimos à inteira disposição das autoridades.