O gestor citou custo de vida, endividamento e juros altos durante evento de apoio a Flávio Bolsonaro
O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), afirmou que o principal desafio das lideranças políticas de Mato Grosso é ampliar a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial. A declaração foi feita na terça-feira (13), durante a inauguração da Casa 22, em Cuiabá, espaço voltado à mobilização de apoiadores do candidato na disputa pelo Palácio do Planalto.
Na avaliação do prefeito, o desempenho eleitoral de Flávio no estado representa uma oportunidade para que Mato Grosso amplie sua participação no cenário político nacional. Ele defendeu que os aliados intensifiquem a divulgação das propostas do presidenciável e busquem dialogar também com eleitores que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira etapa da disputa.
"Esse é o grande desafio das lideranças, de conseguir comunicar as propostas de mudança que representa a candidatura do Flávio Bolsonaro. Nós já tivemos uma vantagem muito grande aqui, mas agora o desafio é ampliar essa vantagem", declarou.
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Ferreira também associou a importância política de Mato Grosso à força econômica do estado. Durante a entrevista, destacou a participação da produção agropecuária nas exportações brasileiras e citou Rondonópolis como exemplo, por figurar entre os municípios com maior volume de vendas ao mercado internacional.
Segundo ele, a contribuição mato-grossense para o país não deve ficar restrita ao desempenho econômico, mas também se refletir nas discussões sobre os rumos do governo federal.
Ao abordar a disputa presidencial, o prefeito fez críticas à situação econômica brasileira, mencionando o custo de vida, as taxas de juros e o endividamento das famílias. Ele afirmou que essas questões devem ser consideradas pelos eleitores na escolha do próximo presidente.
Ferreira também direcionou sua fala aos brasileiros que votaram em Lula no primeiro turno, defendendo que reconsiderem suas posições diante do atual cenário econômico.
"Você está de acordo com a situação atual, com a carestia, o salário não dá para chegar até o final do mês, com juros altos, com endividamento?", questionou.
Programas sociais e críticas ao governo
Durante a entrevista, o prefeito foi questionado sobre uma possível contradição entre as críticas feitas ao governo Lula e a promessa de Flávio Bolsonaro de preservar programas como Bolsa Família, Farmácia Popular e Minha Casa, Minha Vida.
Em resposta, Ferreira afirmou que a manutenção das políticas de assistência social não é incompatível com a defesa de mudanças na administração federal. Segundo ele, a proposta de seu grupo político é preservar os benefícios e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades de emprego e independência financeira para as famílias atendidas.
Como exemplo, citou a possibilidade de permitir que beneficiários do Bolsa Família ingressem no mercado formal de trabalho sem perder imediatamente o auxílio.
"Nós queremos que as pessoas tenham também uma oportunidade de se emancipar. Nós defendemos que a pessoa continue com Bolsa Família e possa conseguir um emprego formal sem perder o Bolsa Família", afirmou.
O prefeito também rejeitou a ideia de que os programas de transferência de renda sejam responsáveis pelos problemas fiscais do país. Na avaliação dele, os principais obstáculos estão relacionados à corrupção, à insegurança jurídica e às decisões políticas que considera prejudiciais à economia.
"O Bolsa Família não vai quebrar o país. O que quebra o país é a corrupção. O que quebra o país é a insegurança jurídica", disse.
Ferreira ainda criticou os rumos da política externa brasileira e defendeu a manutenção de relações comerciais com parceiros tradicionais, citando os Estados Unidos e a União Europeia. Para ele, decisões diplomáticas devem levar em consideração os impactos sobre o setor produtivo nacional.
Ao tratar da assistência às famílias de baixa renda, o prefeito mencionou sua atuação como deputado estadual e a criação da CNH Social, iniciativa destinada a facilitar o acesso gratuito à carteira de habilitação para pessoas sem condições de arcar com os custos do documento.
Segundo Ferreira, o objetivo das políticas públicas deve ser oferecer oportunidades à população de menor renda sem impor prejuízos aos demais segmentos econômicos.
"Tem que cuidar daqueles que mais precisam, sem deixar ninguém para trás", concluiu.
A Casa 22 foi instalada no bairro Quilombo, no imóvel anteriormente utilizado como comitê da campanha de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A estrutura será utilizada para coordenar ações políticas e mobilizar apoiadores de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso durante o segundo turno, marcado para 25 de outubro.