ALVO DA OPERAÇÃO ESPELHO

Cirurgião de jovem morta foi denunciado por suposto envolvimento em esquema de fraudes

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Cirurgião de jovem morta foi denunciado por suposto envolvimento em esquema de fraudes
No detalhe, o médico Euller Preza, que foi acusado de organização criminosa

O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pela cirurgia plástica da jovem Lourdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, que morreu nesta sexta-feira (16), em Cuiabá, foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE), em 2023, por suposto envolvimento em um esquema de fraudes em contratos de prestação de serviços médicos no Estado.

Preza está entre os 22 profissionais, entre médicos e enfermeiros, denunciados no âmbito da Operação Espelho, deflagrada em 2021 pelas Polícias Civil e Federal. Segundo o Ministério Público, o grupo teria integrado um esquema de fraudes em licitações e contratos na área da saúde, principalmente na prestação de serviços em unidades de terapia intensiva (UTIs).

As investigações apontaram suspeitas de desvios de aproximadamente R$ 35 milhões em contratos de serviços médicos, inclusive durante a pandemia de Covid-19. Parte dos serviços contratados, segundo os investigadores, não teria sido prestada ou teria sido executada de forma incompleta.

Na denúncia apresentada à Justiça em dezembro de 2023, Preza foi acusado de integrar organização criminosa. O caso também envolveu suspeitas de peculato e fraude em licitações atribuídas a outros investigados.

A investigação teve início após a identificação de supostas irregularidades em contratos do Hospital Metropolitano, em Várzea Grande. O Ministério Público pediu o ressarcimento de R$ 229,7 mil por danos relacionados à unidade hospitalar.

À época, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que havia identificado irregularidades em auditoria realizada em 2020, rescindido os contratos e retido pagamentos de R$ 900 mil, evitando, segundo a pasta, prejuízo aos cofres públicos.

Negou irregularidades

Em nota divulgada na época, Euller Preza negou envolvimento nas irregularidades e afirmou que jamais atuou nos serviços relacionados aos supostos desvios investigados.

Segundo o médico, sua inclusão na investigação ocorreu em razão de mensagens nas quais mencionava valores que cobraria caso fosse contratado para prestar serviços médicos.

“Não há crime algum na apresentação de orçamentos”, afirmou, classificando a denúncia como frágil e manifestando indignação com a acusação.

Morte durante cirurgia

Nesta sexta-feira (16), Preza era o responsável pela cirurgia plástica de Lourdes, realizada no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá.

A jovem, mãe de duas crianças, passou por procedimentos que incluíam colocação de próteses mamárias e lipoescultura. Durante a operação, sofreu uma parada cardiorrespiratória.

A equipe médica tentou reanimá-la por aproximadamente duas horas, mas ela não resistiu.

Em nota, a defesa do cirurgião afirmou que a paciente havia passado pelas avaliações pré-operatórias necessárias e que o procedimento era realizado em ambiente hospitalar adequado, por profissionais habilitados.

Segundo a defesa, a cirurgia foi interrompida imediatamente após a identificação de uma intercorrência súbita. As causas da morte serão investigadas.

FONTE: MIDIANEWS