"VOU CUMPRIR FELIZ"

Autor dos tiros contra Roberto Zampieri pode não recorrer após ser condenado a 21 anos

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Autor dos tiros contra Roberto Zampieri pode não recorrer após ser condenado a 21 anos
Antônio Gomes da Silva - Foto: Divulgação

Antônio Gomes recebeu pena de 21 anos e 10 meses; outros dois condenados devem recorrer

O julgamento dos três acusados de participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri terminou com aproximadamente 68 anos de prisão aplicados aos réus. Após a definição das penas, as defesas de Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas anunciaram que tentarão modificar as condenações. Já Antônio Gomes da Silva, que confessou ter efetuado os disparos contra a vítima, avalia não apresentar recurso.

O Tribunal do Júri chegou ao veredicto na madrugada desta sexta-feira (2), em Cuiabá. Coube ao juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, Justiça Militar e Tribunal do Júri, estabelecer as penas após a decisão dos jurados.

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A maior condenação foi aplicada a Hedilerson, que recebeu 25 anos de reclusão. Antônio foi sentenciado a 21 anos, 10 meses e 15 dias, com a confissão considerada na definição da pena. Etevaldo recebeu o mesmo período de prisão, de 21 anos, 10 meses e 15 dias, tendo sido considerada a circunstância de possuir mais de 70 anos.

Nenhum dos três poderá deixar a prisão enquanto recorre. O início do cumprimento das condenações será em regime fechado, embora possa haver transferência para estabelecimentos prisionais localizados mais próximos dos familiares.

A reação mais diferente após o júri veio de Antônio. Seus advogados, Nilton Ribeiro e Neyman Monteiro, disseram que ele recebeu o resultado com satisfação e não demonstrou, inicialmente, interesse em contestá-lo. A defesa ainda pretende conversar com o condenado antes de definir se apresentará ou não uma apelação.

Segundo os advogados, Antônio chegou a pedir aos jurados durante o julgamento que fosse condenado. A avaliação da defesa é de que a pena aplicada ficou abaixo do que poderia ser esperado diante da gravidade e da dimensão do processo.

“Mesmo tendo executado a vítima, ele teve uma das menores penas. Ainda não sabemos se iremos recorrer, porque o Antônio está satisfeito com a sentença. Ele disse que quer conversar conosco ainda sobre apelação. Ele pediu aos jurados, durante o julgamento, que o condenassem. Daqui a pouco mais de 2 anos, ele terá direito ao regime semiaberto. Vamos analisar com a cabeça fria, e sempre mantendo a vontade dele. Vemos o resultado como uma vitória, já que consideramos a pena baixa, para um caso tão grave. Ele disse que vai cumprir a cadeia feliz, pois mandou um corrupto para o inferno”, disseram Nilton Ribeiro e Neyman Monteiro.

A estratégia dos outros dois réus seguirá caminho contrário.

Sarah Quinetti, advogada de Etevaldo, afirmou que buscará reverter a condenação. A defesa sustenta a inocência do coronel do Exército e também pretende solicitar prisão domiciliar devido às condições de saúde dele. A possibilidade de transferência para Belo Horizonte foi considerada um ponto positivo.

“Não aceitamos esta pena. Vamos tentar uma prisão domiciliar por conta de todas as comorbidades, mas não vamos desistir e lutaremos até o fim”, declarou.

Hedilerson também deverá questionar o resultado do júri. O advogado Igor Lopes afirmou que continuará defendendo a tese de inocência e buscará derrubar a condenação. Caso isso não ocorra, a defesa pretende tentar diminuir os 25 anos estabelecidos na sentença.

“Minha tese era pela inocência dele. Vamos recorrer da sentença. Respeitamos a decisão dos jurados, mas não desistimos até aqui e continuaremos lutando”, disse.

O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), responsável pela acusação, avaliou positivamente o resultado alcançado no Tribunal do Júri. A instituição, entretanto, ainda não definiu se também recorrerá de algum aspecto relacionado às penas.

“Ainda vamos analisar a sentença para vermos se entraremos com algum recurso em relação a pena, mas isto é algo que será feito com calma”, afirmou o promotor de Justiça Samuel Frungilo.

O julgamento é consequência do assassinato ocorrido em 5 de dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Naquela noite, Roberto Zampieri estava dentro de uma Fiat Toro estacionada em frente ao escritório quando foi surpreendido e atingido por diversos tiros de pistola calibre 9 milímetros.

A acusação apresentada pelo MP-MT atribuiu funções distintas aos três réus. Antônio foi apontado como responsável por atirar contra o advogado. Hedilerson teria auxiliado na execução do plano e fornecido a arma empregada no homicídio. Etevaldo, por sua vez, foi acusado de integrar a ação criminosa.

Depois da análise das provas e dos argumentos apresentados pela acusação e pelas defesas, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade dos três. Com o encerramento do júri e a fixação das penas, a discussão sobre o caso passa agora para a fase de recursos, ao menos em relação a Hedilerson e Etevaldo.