OPERAÇÃO REPLAY

Assessor de vereador é preso por suspeita de lavar dinheiro para o CV e exonerado pela Câmara de Cuiabá

· 2 min de leitura
Assessor de vereador é preso por suspeita de lavar dinheiro para o CV e exonerado pela Câmara de Cuiabá
Brunno Passos da Silva, assessor parlamentar do vereador licenciado Jeferson Siqueira (PSD) - Reprodução

Brunno Passos da Silva foi alvo da operação que investiga o núcleo financeiro da facção; Câmara confirmou exoneração após a prisão

Brunno Passos da Silva, assessor parlamentar do vereador licenciado Jeferson Siqueira (PSD), foi preso nesta quinta-feira (30) durante a Operação Replay, deflagrada pela Polícia Civil para investigar o núcleo financeiro de uma organização criminosa. Horas após a prisão, a Câmara Municipal de Cuiabá confirmou a exoneração do servidor.

Brunno é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, ele teria ligação com Paulo Witter Farias, conhecido como “W.T.”, apontado pela Polícia Civil como integrante da estrutura financeira da facção em Mato Grosso. As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo judicial.

A Operação Replay é um desdobramento de investigações anteriores, entre elas as operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. Nesta nova fase, a Polícia Civil mira pessoas que, segundo os investigadores, teriam permanecido responsáveis pela movimentação e ocultação de patrimônio mesmo após ações anteriores contra a estrutura criminosa.

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Exoneração

A Câmara Municipal informou que Brunno foi exonerado a pedido do vereador Lemes (PSD), que ocupa temporariamente a cadeira de Jeferson Siqueira durante o período de licença de 120 dias do parlamentar.

O ato de exoneração será publicado na edição desta sexta-feira (31) da Gazeta Municipal. Em nota, o Legislativo afirmou que acompanha os desdobramentos do caso e que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Suspeita de movimentação financeira

De acordo com a investigação, Brunno recebia cerca de R$ 2,25 mil mensais como assessor parlamentar. A Polícia Civil, porém, identificou movimentações e aquisição de patrimônio que, segundo os investigadores, seriam incompatíveis com a renda declarada.

Um dos negócios analisados envolve a aquisição de um imóvel de alto padrão. Conforme a apuração policial, teria sido pago R$ 350 mil de entrada, além de outras seis parcelas de R$ 250 mil. A negociação também teria envolvido outro imóvel avaliado em mais de R$ 1 milhão.

Para a investigação, essas movimentações levantaram suspeitas de que recursos de origem ilícita teriam sido utilizados na aquisição e ocultação de patrimônio.

Outros presos

Além de Brunno, a Operação Replay teve como alvos a advogada Dayana Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior, conhecido como “Soldado”, e Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”. Eles são investigados por possível participação ou apoio ao núcleo financeiro atribuído a W.T.

Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, além de buscas e apreensões e medidas de bloqueio patrimonial em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.

A Justiça também autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 15,3 milhões em ativos financeiros e o sequestro de imóveis e veículos avaliados em cerca de R$ 17,2 milhões.

Investigação

Segundo a Polícia Civil, a apuração indica que W.T. teria continuado exercendo influência sobre a estrutura financeira da organização mesmo enquanto estava preso. A investigação aponta ainda o uso de terceiros para movimentação de valores e aquisição de patrimônio.

As autoridades seguem analisando documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos recolhidos durante a operação para identificar a participação individual de cada investigado e possíveis novos envolvidos.

A Câmara Municipal, por sua vez, informou que continuará colaborando com as autoridades no esclarecimento dos fatos.